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Planeta Sustentável

domingo, 7 de junho de 2015

APESAR DE TUDO...







Maria Inez Rodrigues Pereira




Olha o que me fizeram... bateram, xingaram, maltrataram, desprezaram... Colocaram em meus ombros toda culpa da corrupção, da mentira, da arrogância, da falta de sensibilidade, da incompreensão e da insubordinação.


Durante muitos anos fui tratado com indiferença, mas mesmo assim, ouviam minhas reivindicações. Minhas súplicas eram por uma educação de qualidade e por um ensino que me fizesse ser reconhecido  como “o cara”, “o mestre”, a pessoa que iria mudar a vida de tantas outras pessoas.  Que decepção!

Hoje, me encontro combalido, humilhado, ultrajado, desrespeitado em meus direitos de cidadão trabalhador, em meus direitos de PROFESSOR.

A sociedade não me enxerga mais com respeito e com admiração, pois se deixaram iludir por aqueles que inventaram mentiras a meu respeito, dizendo que não sou bem preparado, que não tenho condições de ensinar com qualidade.

Fui subjugado por aqueles ardilosos  da política que se dizem detentores do poder e, de forma  mentirosa, espalharam que não mereço o salário que recebo. Quem me dera receber o salário que me atribuíram... se bobear, nem trabalhando até o fim da minha vida receberei tal prêmio.

Entretanto, minha súplica por uma escola de qualidade, por condições dignas de trabalho, por direitos conquistados e garantidos e por salários dignos vão continuar, mesmo que queiram me calar, mesmo que queiram me derrubar, mesmo que queiram me destruir, mesmo que queiram me impedir de ensinar.

A dignidade de um professor não está no local de trabalho e no salário que recebe, mas no seu caráter e no seu profissionalismo.  No seu respeito para com o aluno, na qualidade e no jeito com que ensina.

 Não há de ser uma injustiça praticada por homens de gravata que irá me derrotar. Não serei abatido por leis inconsequentes e abomináveis que detonam direitos e impõem o desalento. Serei mais eu na escola, serei mais professor, mais orientador, mais educador, mais formador, mais ensinador...  apesar de tudo.


quarta-feira, 13 de maio de 2015

PARA NÃO ESMORECER



Foto: Tiquinho - confronto dia 29/04/15 em Curitiba

        Maria Inez Rodrigues Pereira

A unidade é a forma de organizar o trabalho para um único objetivo. Nós profissionais da educação, a partir da nossa união, gritamos e dividimos os problemas que temos. Ao gritar, precisamos ter atitude. Atitude para questionar aquilo que está nos incomodando. Não podemos ficar indiferentes e abrir mão da nossa capacidade de conhecermos mais e pensar sobre o que nos causa indignação e repúdio nas atitudes das pessoas que deveriam estar do nosso lado pra nos defender. Entretanto, a ética não nos permite acusar ou difamar os que se escondem na alienação da falta de compromisso. Mas, é essa falta de compromisso que impede a unidade de um grupo ou do coletivo na conquista de um objetivo.
A greve dos professores paranaenses é um exemplo aos olhos do mundo de uma unidade nunca vista antes por uma categoria que clama por seus direitos. Uma categoria que está incomodando alguns políticos e que está chamando a atenção da população paranaense para os desmandos de um governador que se acha o dono do Estado. Nossa luta e nossa atitude estão buscando novas possibilidades de mudança para a Educação e para as unidades escolares, bem como lutando pela garantia de nossos direitos trabalhistas, além de melhores condições de trabalho. Não podemos nos acomodar. Não podemos dar ouvidos aos ruídos que querem quebrar essa unidade, pois, esses ruídos só têm um único objetivo, que é o de provocar desencontros e desunião, para que não se chegue a lugar algum. Precisamos ter claros os pontos que nos unem para permanecermos unidos e ainda mais fortalecidos.
Lembremo-nos de um pensamento de Hans Jonas (1979),  que diz: “Cuidado com o que você faz porque isso poderá impedir o que as próximas gerações precisarão para viver”.  Então, não sejamos indiferentes aos problemas de nossa categoria e a tudo o que estamos enfrentando, achando que isso não vai te ferir, ou ferir os novos colegas que virão.  A responsabilidade em seguir adiante numa luta que é de todos pode fazer a diferença na Educação de nossos alunos e das futuras gerações, bem como no plano de carreira de todos nós e dos futuros colegas professores.
Não nos esqueçamos, também, de que estamos ministrando uma aula prática de consciência política e de cidadania. E que nesta aula, que está acontecendo nas ruas de todas as cidades do Paraná, precisa ser compreendida como o ato  de promover a Educação de nossos alunos de forma mais consciente, um ato de problematizar, ou seja, não apenas transmitir conhecimentos ou verdades prontas, nem adestramento de habilidades como quer a pedagogia neoliberal, mas  estamos ensinando hipóteses fundantes que podem estimular o pensamento crítico e a prática emancipadora de nossos alunos.
Sabemos que educação é dever do Estado e que é dele a responsabilidade de oferecer condições dignas de trabalho e de infraestrutura nas instituições escolares. É por isso que estamos defendendo primeiramente a Escola Pública, e em segundo lugar, o nosso direito trabalhista.
A defesa de nossos direitos, que foram duramente conquistados por inúmeras lutas e batalhas realizadas pelo nosso sindicato e pela força da nossa união, não pode ser roubada de nós professores, alunos e comunidade escolar sem nenhuma consequência para quem usurpa nosso direito. Deste modo, a UNIDADE NA ADVERSIDADE é imprescindível nesse momento. Não estamos lutando ou brigando por puro capricho, mas estamos lutando por questões de direito garantidos por lei à nossa categoria e pela sobrevivência da Escola Pública de qualidade. Não estamos do lado A ou B da política como querem nos impor alguns. Estamos do lado da Educação, da Escola Pública, do Servidor Público, dos alunos e de toda comunidade escolar. Por isso, compreendamos a mensagem que nos deixou Paulo Freire quando disse: “Que é mesmo a minha neutralidade senão a maneira cômoda, talvez, mas hipócrita, de esconder minha opção ou meu medo de acusar a injustiça? Lavar as mãos em face da opressão é reforçar o poder do opressor, é optar por ele.” (Paulo Freire)

Nossa maior  lição agora  é na rua e ao lado dos colegas. Vamos juntos e unidos prosseguir lutando.  

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Resiliência



Resiliência
Maria Inez Rodrigues Pereira

A dor no peito ainda é muito grande e a tristeza que consome a alma se derrama em lágrimas pelo meu rosto.  Insatisfação, indignação, revolta, repúdio, nojo, decepção, enfim, sentimentos que não consigo controlar e que vicejam no meu coração, motivados pelo descontentamento de ter assistido um déspota avançar sobre professores, sem dó nem piedade, ferindo-os com bombas, gás lacrimogênio e balas de borracha. Um ato insano e desmedido que manchou de sangue, para sempre, a história do Paraná.
 Haveremos de mudar esse quadro negro?... Talvez sim, talvez não. Contudo a resiliência nos impulsiona a responder de forma consistente, em sala de aula, esse grande desafio de educar para a transformação social.  Um motivo a mais para o fortalecimento do trabalho coletivo dentro das escolas que, muitas vezes, vejo enfraquecido no dia a dia do nosso trabalho docente.  E ser resiliente neste caso é, de acordo com Tavares(2002), “a capacidade de responder de forma mais consistente aos desafios e dificuldades, de reagir com flexibilidade e capacidade de recuperação diante desses desafios e circunstâncias desfavoráveis, tendo uma atitude otimista, positiva e perseverante e mantendo o equilíbrio dinâmico durante e após os embates- uma característica de personalidade que, ativada e desenvolvida, possibilita ao sujeito superar-se e às pressões de seu mundo, desenvolver um autoconceito  realista, autoconfiança e um senso de autoproteção que não desconsidera a abertura ao novo, à mudança, ao outro e à realidade subjacente” Nesse contexto, porém, considero de extrema importância manter o foco de nossos objetivos, ou seja, ensinar para transformar, mesmo que isso leve algum tempo.  

Entretanto, não podemos nos resignar com as situações de perda ou ganho de alguma coisa, nesse caso de direitos adquiridos e que nos foram usurpados, mas numa ação resiliente responder a altura, com a competência de quem sabe educar para a democracia, para a cidadania, para a política e, conforme defendeu Gramsci (1978), para preparar a classe trabalhadora para ser dirigente do país. Ser resiliente é ter a capacidade de se recuperar a partir de choques, ferimentos e traumas, ser resistente para enfrentar os desafios.

O choro e as lágrimas que derramamos são a imagem da nossa decepção com o ocorrido, mas não podem atrapalhar nosso trabalho e muito menos nosso ideal na missão de formar crianças, jovens e adultos por meio de uma educação de qualidade. Uma educação que ultrapasse as barreiras do senso comum e conduza o cidadão à síntese do conhecimento adquirido e incorporado por sua inteligência, fazendo-o capaz de discernir entre o certo e o errado, entre o ter e o fazer, entre a ignorância e o saber.

Portanto, o que nos moverá de agora em diante, muito mais do que antes, é a chance de poder continuar lutando por uma educação de qualidade. É a chance de poder continuar ensinando, organizando conteúdos que farão a diferença na vida dos alunos que estão sob nossa responsabilidade. Utopia?...Talvez, mas é delicioso sonhar. Por isso, como disse Gandhi em suas lições de vida, "a verdadeira educação consiste em pôr a descoberto ou fazer atualizar o melhor de uma pessoa. Que livro melhor que o livro da humanidade?" Não percamos a chance de valorizar nossa missão de ensinar. Não percamos o foco nem a nossa fé. Somos PROFESSORES e nunca desistimos.

Sejamos fortes, sejamos corajosos, sejamos resiliente, sejamos unidos e nos fortaleceremos ainda mais.





sexta-feira, 1 de maio de 2015

ESSE DIA JAMAIS ESQUECEREMOS



Vinte e nove de abril de dois mil e quinze ficou marcado na história como um triste dia para os Servidores do Paraná. A trilha sonora que escolhi para servir de fundo as fotos deste vídeo é “Adágio", palavra que significa andamento, dito popular, aquilo que vem sendo repetido por muito tempo. Na música, porém, significa um andamento lento de harmonia quase fúnebre que expressa tristeza. Acredito que a música define muito bem o momento que nossos professores enfrentaram no dia de ontem, bem como o sentimento de todos nós que assistimos de longe a barbárie comandada pelo governador beto richa(com letras minúsculas). 
Tristeza e indignação são os meus sentimentos. A história do Paraná foi manchada por um inconsequente que não sabe respeitar seus professores e que não sabe o significado de democracia, pois isso ficou evidente nas imagens de ontem. Como disse o jornalista Ricardo Boechat da Band " num concurso de cérebros, talvez o pit bull vença, comparado ao do governador do Estado, quando lança mão de uma PM truculenta pra fazer o que fez".

Quero prestar minha homenagem aos professores que estiveram lá no Centro Cívico, enfrentando com dignidade e bravura os brutamontes do beto richa. Vocês são o nosso Orgulho. ORGULHO DE SER PROFESSORA.

quinta-feira, 30 de abril de 2015

ESTOU TRISTE



Foto: Tiquinho


             Maria Inez Rodrigues Pereira

Estou triste com toda essa violência que os profissionais da educação têm sofrido por parte de pessoas que deveriam estar protegendo-os.

Estou triste com a alienação da maioria da população paranaense que só soube se manifestar contra a Dilma ou o PT, compactuando com os desmandos do governador.

Estou triste porque a população paranaense não consegue enxergar o quão hipócrita são o governo e seus asseclas.

Estou triste porque em toda minha vida jamais tinha visto coisa igual.

Estou triste porque não consigo visualizar um futuro digno e emancipador para os nossos estudantes por uma política que desmonta a escola a cada dia.

Estou triste com a falta de respeito de um governador que trata professores como vândalos e bandidos.

Estou triste porque políticos desonestos que se apropriam do erário público esqueceram que um dia tiveram professores em suas vidas que lhes ensinaram conceitos de ética e cidadania.

Estou triste porque vejo a violência sendo mais forte que o diálogo e o respeito.

Estou triste porque vejo fracassando a Educação.

Estou triste porque a democracia está perdendo para a Ditadura imposta por um déspota.

Estou triste porque vejo o silêncio das mídias que apoiam a ditadura disfarçada.

Estou triste porque uma professora que sonha com uma educação que transforma e faz crescer o ser humano, vê um horizonte de neblina e de tristeza para quem quer aprender.

Estou triste porque vejo a força do capital vencer as classes sociais mais desfavorecidas por pura ganância e preconceito.

Estou triste porque vencemos a batalha, mas não vencemos a guerra.

O SABER E O SABOR

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Palestra: Mario Sergio Cortella

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