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Planeta Sustentável

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

EU QUERIA UMA ESCOLA



Carlos Drumond de Andrade


Eu queria uma escola que cultivasse a curiosidade e a alegria de aprender que em vocês é natural. Eu queria uma escola que educasse seu corpo e seus movimentos; que possibilitasse seu crescimento físico e sadio. Normal. E eu queria uma escola que lhes ensinasse tudo sobre a natureza, o ar, a matéria, as plantas,os animais, seu próprio corpo. Deus. Mas que ensinasse primeiro pela observação, pela descoberta, pela experimentação. E que dessas coisas lhes ensinasse não só a conhecer, como também amar e preservar. Eu queria uma escola que ensinasse tudo sobre nossa história, a nossa terra, de uma maneira viva e atuante. Eu queria uma escola que ensinasse a vocês a amarem a nossa literatura e a nossa poesia. Eu queria uma escola que lhes ensinasse a pensar, a raciocinar, a procurar soluções. Eu queria uma escola que, desde cedo, usasse materiais concretos para que vocês pudessem ir formando corretamente os conceitos matemáticos, os conceitos de números, as operações... usando palitos, tampinhas, pedrinhas.. só porcariinhas!!!...Fazendo vocês aprenderem brincando...Oh! Meus Deus! Deus que livre vocês de uma escola em que tenham que copiar pontos. Deus que livre vocês de decorar sem entender, nomes, datas, fatos...Deus que livre vocês de aceitarem conhecimentos"prontos", mediocremente embalados nos livros didáticos descartáveis. Deus que livre vocês de ficarem passivos, ouvindo e repetindo, repetindo...Eu também queria uma escola que desenvolvesse a sensibilidade que vocês já têm para apreciar o que é terno e bonito.Eu queria uma escola que ensinasse a vocês a conviver, a cooperar, a respeitar, a saberviver numa comunidade, em união. Que vocês aprendessem a transformar a criar.Que lhes desse múltiplos meios de vocês expressarem cada sentimento, cada drama, cada emoção.Ah! E antes que eu me esqueça: Deus que livre vocês de um professor incompetente.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

A ESCOLA COMO UM LUGAR APAIXONANTE


Quando eu era criança a escola era para mim um lugar de pura alegria. Minha imaginação se completava nas explicações da minha professora, pois, eu viajava nas explanações que ela fazia e nas aulas de literatura que eu amava. Participávamos das aulas com total empenho e satisfação, porque éramos instigados de uma forma tão cativante que não tinha quem não quisesse participar daquela aula. Tínhamos motivos para aprender. O tempo passou e hoje a escola, para muitos, se tornou chata e monótona. Os motivos são muitos, mas não podemos perder o desejo de tornar a escola um lugar apaixonante.
Sul real essa afirmação? Pode até ser no momento, mas tenho a certeza de que não é impossível tornar os espaços da escola, neste lugar apaixonante.
Quando se é “tocado” de verdade o compromisso com a educação de uma pessoa ou indivíduo prevalece, aos desafios e obstáculos, e acaba vencendo, trazendo para dentro da sala de aula os melhores ensinamentos e as melhores pesquisas.
Quando as perguntas surgem no lugar das afirmações pura e simples, a aula fica muito mais gostosa e o conhecimento acaba sendo apropriado com muito mais significado, com mais propriedade. O aprender a aprender fica mais fascinante, mais prazeroso e com isso a atividade prática se realiza com muito mais acertos e eficiência do que quando partimos para teorias sem sintonia com a realidade. Podemos dizer com isso que, ensinar é saber projetar no sujeito que aprende a vontade de conhecer cada vez mais e de reconhecer-se capaz de aprender e de pôr em prática o que aprendeu.
O grande centro para se desenvolver esse tipo de aprendizagem é a escola. Porém, o que presenciamos a cada dia são o desestímulo e a resistência de muitos alunos frente àqueles que deveriam estar lhes preparando caminhos, ensinando a se relacionar com o conhecimento.
Assim sendo, é importante realizarmos então, uma reflexão mais aprofundada sobre a prática docente, pois sem atrativos para esta geração de adolescentes cercados de informações e de recursos tecnológicos muito mais atrativos, um quadro de giz apenas, não vai funcionar. O ideal seria então, oferecer a estes alunos outras maneiras de estudar e de conhecer o mundo através de práticas que os instiguem à participação e às manifestações de suas identidades culturais, de suas necessidades educativas e de seus saberes. Portanto, precisamos reorganizar o conjunto de conhecimentos e técnicas como forma de transformar o espaço da escola em lugar apaixonante de verdade. Para isso, a receita está na disposição de querer ensinar com qualidade e, que faz parte de três eixos importantes na qualificação do professor, definidos por Isabel Alarcão como sendo a “interação com as tarefas educativas; interação com os outros e interação de cada um consigo próprio” (ALARCÃO, 2001). Sem estes três eixos fica difícil o professor atrair a atenção de seus alunos e isso significa, também, que é preciso que ele se apaixone pela escola.
Apaixonar-se pela escola é torná-la um lugar apaixonante. É descobrir nossa paixão por ensinar e também aprender. É compartilhar conhecimentos e transformar pessoas em cidadãos. É deixar que o conhecimento aconteça. É não ter medo de oferecer aos alunos aquilo que eles esperam de nós: conhecimento


Maria Inez Rodrigues

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

A ARTE DE ENGOLIR SAPOS




A Arte de Engolir SaposPublicada Mar 09, 2005 - 12:00

O Adão, meu amigo, professor de biologia, já encantado, amava os sapos. Dedicou sua vida a estudá-los. Estudava e admirava. Era capaz de identificá-los não só por sua aparência física como também pelo seu canto. Acho que o Adão achava os sapos bonitos. E é certo que eles têm uma beleza que lhes é peculiar. O filósofo Ludwig Feuerbach diria que para os sapos não existe nada mais belo que o sapo e, se entre eles houvesse teólogos, haveriam de dizer que Deus é um sapo. Cada forma de vida é o Bem Supremo para si mesma.Eu mesmo, sem ter a sensibilidade do Adão, escrevi um livro para crianças em que um dos heróis é o sapo Gregório. Mas desejo confessar que não acho os sapos bonitos. Bonita eu acho a sua cantoria durante a noite, a despeito da sua falta de imaginação e monotonia. Mas o que ela perde em riqueza estética é plenamente compensado pelo seu poder hipnótico, o que é bom para fazer dormir.Mas o fato é que nós, humanos, não consideramos os sapos como animais com que gostaríamos de conviver. Ter um cãozinho, um gato ou um coelho como bichinho de estimação, tudo bem. Mas se o menino quisesse ter um sapo como bichinho de estimação, os pais tratariam de levá-lo logo a um psicólogo para saber o que havia de errado com ele. Sapo é bicho de pesadelo.Quem sugere isso são as Escrituras Sagradas. Está relatado, no capítulo oitavo do livro de Êxodo que Deus, para dobrar a obstinação do faraó egípcio que não queria deixar que o povo de Israel se fosse, enviou-lhe uma série de pragas de horrores, uma delas sendo a dos sapos. Diz o texto que a praga era de rãs, mas não faz muita diferença. "Eis que castigarei com rãs todos os teus territórios, o rio produzirá rãs em abundância, que subirão e entrarão em tua casa, no teu quarto de dormir, e sobre o teu leito, e nas casas dos teus oficiais, e sobre o teu povo, e nos teus fornos e nas tuas amassadeiras." Já imaginaram o horror? A gente entra debaixo das cobertas e sente o frio das rãs que lá estão. Morde o pão e dentro dele está uma rã assada.Nas estórias infantis é a mesma coisa. A bruxa poderia ter transformado o príncipe numa girafa, num tatu ou num gato. Escolheu transformá-lo no mais nojento, um sapo. E há aquela outra estória em que o sapo queria dormir na cama com a princesinha. Tão horrorizada ficou de ter de dormir com um sapo que ela, para evitar os beijos e seus desenvolvimentos inevitáveis, pegou-o pela perna e o jogou contra a parede. Esse ato teve efeito mágico pois que, ao cair no chão, o sapo transformou-se em príncipe. Já aconselhei pessoas a lançar contra a parede seus sapos e sapas conjugais, para ver se o contra-feitiço funciona também para os humanos. Parece que não.O horror do sapo aparece também numa sugestiva expressão popular: "ter de engolir sapo". Por que não "ter de engolir gato", "ter de engolir borboleta", "ter de engolir tico-tico"? Porque mais nojento que sapo não existe.Essa expressão traz o sapo para o campo das atividades alimentares. Engolir é comer. O ato de comer é presidido pelo paladar. O paladar é uma função discriminatória. Ele separa o saboroso do não saboroso. O saboroso é para ser engolido com prazer. O não saboroso, o corpo se recusa a comer. Cospe. "Ter de engolir sapo": ser forçado a colocar dentro do corpo aquilo que é nojento, repulsivo, viscoso, frio, mole.Não há forma de engolir sapo com prazer. Engolir um sapo é ser estuprado pela boca. Há um ditado inglês que diz: "If you are going to be raped, and there is nothing you can do about it, relax and enjoy it": se você vai ser estuprado e você não pode fazer nada para impedi-lo, relaxe e trate de gozar o mais que puder. Esse ditado sugere a possibilidade de se sentir prazer em ser estuprado. Pode até ser. A psicanálise me ensinou a aceitar a possibilidade dos mais estranhos prazeres perversos. Mas não há relaxamento que faça do ato de engolir um sapo uma experiência prazerosa.Por que engolir um sapo?Há pessoas que engolem sapos por medo. Bem que seria possível evitar a repulsiva refeição: o sapo é um sapinho. Mas elas preferem engolir o sapo a enfrentá-lo. Não têm coragem de pegá-lo e jogá-lo contra a parede. Pessoas que fizeram do ato de engolir sapos um hábito acabam por ficar parecidas com eles: andam aos pulos, sempre rente ao chão e coaxam monotonamente.Mas há situações em que é inevitável engolir o sapo. Eu mesmo já engoli muitos sapos e disto não me envergonho. O meu desejo, com esta crônica, é dar uma contribuição ao saber psicanalítico, que até agora fez silêncio sobre o assunto. Muitos dos sintomas neuróticos que afligem as pessoas resultam de sapos engolidos e não digeridos.Tudo começa com um encontro: à minha frente um sapo enorme, ameaçador, com boca grande. A prudência me diz que é melhor engolir o sapo a ser engolido por ele. É melhor ter um sapo dentro do estômago (sapos engolidos nunca vão além do estômago) do que estar no estômago do sapo.Aí, impotente e sem opções, deixo que ele entre na minha boca, aquela massa mole nojenta. É muito ruim. O estômago protesta, ameaça vomitar. Explico-lhe as razões. Ele cessa os seus protestos, resignado ao inevitável. Não consigo mastigar o sapo. Seria muito pior. Engulo. Ele escorrega e cai no estômago.Alimentos não digeríveis são eliminados pelo aparelho digestivo de duas formas: ou são expelidos pelo vômito ou são expelidos pela diarréia. Os sapos são uma exceção. Não são digeridos mas não são nem expelidos pelas vias superiores e nem pelas vias inferiores. Os sapos se alojam no estômago. Transformam-no em morada. Ficam lá dentro. Por vezes hibernam. Mas logo acordam e começam a mexer.Ninguém engole sapo de livre vontade. Engole porque não tem outro jeito. Tem sempre alguém que nos obriga a engolir o sapo, à força. A pessoa que nos obriga a engolir o sapo, a gente nunca mais esquece. Diz a Adélia que "aquilo que a memória amou fica eterno". Aí eu acrescento algo que aprendi no Grande Sertão. Conversa de jagunços matadores. Diz um: "Mato mas nunca fico com raiva". Retruca o outro, espantado: "Mas como?" Explica o primeiro: "Quem fica com raiva leva o outro para a cama." É isso. A gente leva, para a cama, a pessoa que nos obrigou a engolir o sapo. A raiva também eterniza as pessoas. Não adianta falar em perdão. A gente fica esperando o dia em que ela também terá de engolir um sapo. Ou como dizia uma propaganda antiga de loteria, a gente reza: "O seu dia chegará..."

Rubem Alves

www.rubemalves.com.br

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

SÓ DE SACANAGEM




Elisa Lucinda

Meu coração está aos pulos!Quantas vezes minha esperança será posta à prova?Por quantas provas terá ela que passar?Tudo isso que está aí no ar, malas, cuecas que voam entupidas de dinheiro, do meu dinheiro, que reservo duramente para educar os meninos mais pobres que eu,para cuidar gratuitamente da saúde deles e dos seus pais, esse dinheiro viaja na bagagem da impunidade e eu não posso mais.Quantas vezes, meu amigo, meu rapaz, minha confiança vai ser posta à prova? Quantas vezes minha esperança vai esperar no cais?É certo que tempos difíceis existem para aperfeiçoar o aprendiz, mas não é certo que a mentira dos maus brasileiros venha quebrar no nosso nariz.Meu coração está no escuro, a luz é simples, regada ao conselho simples de meu pai, minha mãe, minha avó e dos justos que os precederam: "Não roubarás", "Devolva o lápis do coleguinha"," Esse apontador não é seu, minha filhinha".Ao invés disso, tanta coisa nojenta e torpe tenho tido que escutar.Até habeas corpus preventivo, coisa da qual nuncatinha visto falar e sobre a qual minha pobre lógica ainda insiste: esse é o tipo de benefício que só ao culpado interessará.Pois bem, se mexeram comigo, com a velha e fiel fé do meu povo sofrido, então agora eu vou sacanear:mais honesta ainda vou ficar.Só de sacanagem! Dirão: "Deixa de ser boba, desde Cabral que aqui todo o mundo rouba" e eu vou dizer: Não importa, será esse o meu carnaval, vou confiar mais e outra vez. Eu, meu irmão , meu filho e meus amigos, vamos pagar limpo a quem a gente deve e receber limpo do nosso freguês.Com o tempo a gente consegue ser livre, ético e o escambau.Dirão: "É inútil, todo o mundo aqui é corrupto, desde o primeiro homem que veio de Portugal".Eu direi: Não admito, minha esperança é imortal.Eu repito, ouviram? IMORTAL!Sei que não dá para mudar o começo mas, se a gente quiser, vai dá para mudar o final!

PESSOAS SÃO DONS




Pessoas são dons. Pessoas são presentes, que o Pai manda para mim embrulhadas.
Umas são presentes que vêm em embrulho bem bonito: atraentes logo que as vejo.
Outras vêm com um papel bastante comum.
Outras ficaram machucadas no correio.
De vez em quando, vem uma registrada.
Umas são presentes em invólucros fáceis.
Outras, é bem difícil para tirar a embalagem. Porém, a embalagem não é o
presente.
É fácil fazer este erro. Às vezes, o presente não é muito fácil de abrir.
Precisa-se da ajuda de outras pessoas.
Será que a razão é o medo? Será que é o ódio?
Talvez já tenha sido desembrulhado e o presente jogado fora.
Pode ser que este presente não seja para mim!
Eu também sou uma pessoa. Sou também um presente.
Um presente a mim mesmo.
O Pai deu-me a mim mesmo.
Já olhei para dentro da minha própria embalagem?
Talvez nunca tenha aceito o presente que sou...
Pode ser que dentro da embalagem tenha algo diferente do que penso!
Talvez nunca tenha compreendido o presente maravilhoso que sou!
Será que o Pai faz pessoas que não são maravilhosas?
Eu adoro os presentes que aqueles que me amam dão a mim!
Por que não amo o presente, este presente, a pessoa que sou?
Sou um presente às outras pessoas?
Será que nunca chegarão a gozar do presente?
Cada encontro com pessoas é troca de presentes.
Mas o dom sem doador não é mais dom!
É somente uma coisa vazia sem relacionamento entre doador e recebedor.
A amizade é um relacionamento entre pessoas que vêem as pessoas como realmente
são: DONS DO PAI UM AO OUTRO...
O amigo é um dom, não somente para mim, mas para outros através de mim.
Quando eu guardo um amigo, possuindo-o, eu destruo sua capacidade de ser dádiva.
Se eu guardo a sua vida para mim, eu a perco, para outros, então eu a guardo.
PESSOAS SÃO DONS RECEBIDOS E DONS DOADOS...


autor desconhecido

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

RESCURSOS DO PLANETA



Sabendo usar os recursos do planeta, eles podem não faltarMariana Aprile*Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação
Página 3
Imagine que você descobriu uma árvore de frutos deliciosos, como uma macieira, por exemplo. As maçãs são grandes e suculentas e há muitas delas. Basta tirar uma, nascem duas no lugar. Então, certo dia, outras pessoas aparecem para pegar os frutos também. As maçãs continuam a nascer, lindas.Daí, todos resolvem subir na árvore para colher mais ainda. E quebram seus galhos, de tal forma, que a árvore quase morre - e pára de dar frutos. Essa história ilustra o que acontece com a natureza nos dias de hoje.Os seres humanos usam os recursos naturais como se fossem inesgotáveis. Mas os benefícios da natureza, como a água e o solo (de onde se tiram os alimentos) não são infinitos e podem se esgotar, assim como as maçãs da árvore mágica. Muitas pessoas já sofrem com a falta de água e de alimento. O pior é que em lugares como o Oriente Médio, onde a água é considerada o "ouro azul" por ser escassa, ela pode ser motivo de guerra. Mais um, numa região já tão violenta.Lotação quase esgotadaA situação do planeta é crítica e por isso mesmo você já deve ter ouvido falar em desenvolvimento sustentável. É o nome que se dá quando você colhe a maçã, mas respeita a árvore e dá tempo a ela para se refazer e produzir mais frutos outra vez. O mesmo se aplica a todos os outros recursos naturais da Terra: deve-se usá-los com sabedoria, para dar tempo à natureza de se recompor. Caso contrário, eles se esgotam, acabam, desaparecem.O avanço da ciência e da tecnologia trouxe inúmeros benefícios para o ser humano. A medicina moderna, por exemplo, tornou possível o aumento da expectativa de vida - as pessoas vivem mais tempo devido aos remédios e vacinas que curam doenças. Assim, com menos mortes e mais nascimentos na população humana, o resultado é o aumento exagerado do número de pessoas no planeta.Para se ter uma idéia, no início da Era Cristã a população mundial contava com cerca de 200 milhões de pessoas - e chegou a 1 bilhão por volta do ano 1800, há apenas 200 anos. Então, nas primeiras décadas do século 20, esse número dobrou. No dia 12 de outubro de 1999, nasceu o bebê que inteirou o número 6 bilhões.A esse aumento considerável da população dá-se o nome de explosão demográfica. Peter Kostmayer, da ONG "Population Connection", afirmou que a taxa de crescimento da população está, de longe, extrapolando nossa capacidade de oferecer empregos, educação, moradia e cuidados médicos. Além disso, está causando tremendos problemas ambientais no mundo - para o planeta e para seus habitantes.Atualmente, pelo menos uma em cada cinco pessoas é subnutrida - e uma a cada seis não tem acesso à água potável. Com tanta gente, há necessidade de mais alimento, mais água, mais terra para produzir alimentos. Da mesma maneira que um lindo parque fica imundo depois de um feriado cheio de gente jogando lixo em toda parte, o planeta vive uma superlotação de gente, com o conseqüente aumento da produção de detritos e resíduos. Pior: o sistema econômico e de exploração dos recursos naturais atual não permite que a Terra suporte uma população tão grande.A agricultura e a criação de animais, segundo diversos ecólogos (cientistas que estudam a ecologia), em breve não serão suficientes para alimentar todas as pessoas. E é preciso lembrar ainda dos recursos alimentares dos oceanos, que são limitados - o mar oferece 100 milhões de toneladas de peixes, sendo que o ser humano retira por ano 97 milhões de toneladas para si (quase tudo!).Então, o ser humano destrói partes da natureza a cada dia, sem se dar conta de que está acabando com elementos necessários à sua própria sobrevivência. É a detruição da árvore das maçãs.Economia da naturezaEsses problemas levaram, em 1980, à criação de um novo conceito - o desenvolvimento sustentável. Parece um nome difícil, mas é fácil de entender, não é? Trata-se de um conjunto de atitudes e projetos que têm como objetivo utilizar a natureza sem destruí-la. Dando tempo para ela se refazer.O desenvolvimento sustentável é como se fosse uma "poupança da natureza". Isto é, retira-se uma certa quantidade de recursos naturais, mas se deixa uma quantia suficiente para "render" - no caso da macieira, por exemplo, se as pessoas tivessem uma idéia de desenvolvimento sustentável, elas esperariam a árvore produzir mais frutos, ao invés de arrancá-los todos com aquela pressa danada.Além disso, se os mesmos indivíduos deixassem uma maçã ou outra no chão, nasceriam mais macieiras, e portanto, haveria mais frutos para as pessoas. Para completar, seria fundamental que ninguém deixasse lixo no solo em volta da árvore, porque isso iria envenenar a terra e impedir o crescimento de novas plantas.Desenvolvimento sustentável é muito importante. Se todos fizerem sua parte, será possível viver em condições saudáveis, ao invés sofrer num planeta poluído e esgotado de recursos essenciais para todos os seres vivos - você, inclusive.
*Mariana Aprile é estudante de biologia da Universidade Presbiteriana Mackenzie e bolsista do CnPq

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

FÉ QUE MOVE A BAHIA



Se existe um povo de fé, esse é o baiano. A religiosidade faz parte de sua identidade cultural e é comum ele levar no peito guias e crucifixo. Bate cabeça para orixás e ajoelha diante da Virgem. Reza e dança. E a Bahia conquista assim o direito de falar com todos os santos!
Texto: Simone SerpaFotos: Marcos Lima
Praia espetacular é Bahia, Carnaval e timbalada também, mas logo a memória desperta para outras delícias: o sabor quente do acarajé, o cheirinho de dendê, o som do berimbau, a brisa em céu azul-profundo. As artes que brotam lá todo brasileiro conhece um tanto. Agora, não há como aterrissar nesse pedaço de Nordeste sem se deixar tocar por sua característica maior: a Bahia é a mais pura celebração da fé. O dia de São João é mais festejado do que Natal. E não inclui apenas comidas típicas e fogueiras, não. Para o santo, se faz novena, que é encerrada minutos antes do início da festa. Todo primeiro de junho há a trezena de santo Antônio, uma delas realizada ao ar livre, bem ali, em frente ao elevador Lacerda, a entrada do Pelourinho. A festa de Iemanjá só perde para o Carnaval... E a fé não se manifesta apenas na rua, ela também está nas casas. Basta entrar em um típico lar baiano que logo se vê um oratório, ou simplesmente um nicho na parede, repleto de santos. Sem falar nos colares do candomblé pendurados na cabeceira da cama, nas esculturas de orixás na decoração, nas fitas do Senhor do Bonfim por todos os lados. Cabe a pergunta: de onde vem tanto fervor, que não se limita às fronteiras de tempo nem ao pragmatismo da vida de hoje? Há quem veja a origem da fé baiana na fusão de elementos de diferentes culturas, que permitiu que códigos do candomblé, trazidos da África, fossem assimilados pelas igrejas católicas e vice-versa. Para o culto africano, isso não representa um problema, seus freqüentadores podem seguir outras religiões, embora haja casas de santo com postura não sincrética. “É muito comum, portanto, que os afro-descendentes no Brasil atendam os dois lados – santos e orixás -, aumentando assim as possibilidades de fé”, diz Roberval Marinho, professor da Universidade Católica de Brasília e pesquisador das religiões afro-brasileiras, com três livros publicados sobre o assunto.

A FORÇA DO SINCRETISMO
Uma das muitas festas que mostram o sincretismo é a de santa Bárbara, em 4 de dezembro. Nesse dia, a população se veste de branco e ver melho e acompanha o trajeto do caminhão de bombeiros. No alto, ele leva a estátua da santa, que, no candomblé, é Iansã. Enquanto o carro passa, com a sirene ligada, muitas pessoas recebem o santo na rua. “O sincretismo aconteceu em função de características mais ou menos comuns de orixás e santos. Mas essa correspondência é frágil porque eles são, na verdade, absolutamente diferentes”, ressalta Edilece Couto, professora de História das Religiões da UFBA (Universidade Federal da Bahia). Ela cita como exemplo a própria santa Bárbara: o que podem ter em comum santa Bárbara, mártir e virgem cristã do século 3, e Iansã, orixá do fogo, cujo arquétipo é de uma mulher impetuosa e sensual? A semelhança entre as duas está nas funções que desempenham. Ambas são capazes de provocar relâmpagos, trovões, raios e tempestades.
O ATABAQUE ENTRA NA IGREJA
Na Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, que fica no Pelourinho, as missas são realizadas com atabaques e cantos afros. “Há pessoas que recebem o santo aqui dentro”, garante uma freqüentadora da igreja e que também é filha-de-santo. Em outubro, mês em que se comemora o aniversário da construção da igreja e da fundação da irmandade, há uma procissão em que a comunidade caminha com as contas do candomblé e os símbolos do catolicismo. O sociólogo Reginaldo Prandi, da Universidade de São Paulo, estudioso das religiões africanas, enfatiza que o sincretismo na Bahia é oficial. Está im pregnado na literatura de Jorge Amado, nas artes plásticas, com Carybé, no cinema de Glauber Rocha, no teatro de Dias Gomes e na música de Dorival Caymmi, Caetano Veloso e tantos outros. Para Roberval Marinho, uma das explicações para essa religiosidade é a mistura de filosofia e cultura: “Os negros trouxeram a filosofia das culturas ágrafas, ou seja, que não dominavam a escrita. Seu conhecimento estava na cabeça e precisava ser passado adiante através de festas e outras manifestações culturais. Assim, para os africanos, o presente era o único tempo existente. Ser religioso para eles significava viver o momento em plenitude, celebrar a vida e usufruir dela da melhor maneira possível. Já as culturas gráficas, no caso o catolicismo, vindo da Europa, podiam ter seu conhecimento guardado em livros e recuperado depois. Elas aprenderam, então, a viver um tempo futuro, adiaram a alegria e até mesmo a vida para depois da morte”. Em conseqüência dessa maneira de pensar, os negros que chegaram ao Brasil sobreviveram como puderam e ajustaram seus hábitos, inclusive os religiosos, aos do mundo que encontraram aqui. “Se para eles não havia vida após a morte, então era preciso viver a qualquer preço”, afirma o pesquisador de Brasília.


MOMENTOS DE ENCONTRO

Assim, os orixás, depois de reprimidos pelo catolicismo, receberam nomes de santos e continuaram cultuados. “Foi com esse jeitinho que, aos poucos, se estabeleceu essa grande religiosidade”, diz Roberval. Some-se a isso a repressão. Quanto mais a Igreja, a elite branca e a polícia tentavam coibir os festejos religiosos, mais eles cresciam em entusiasmo e pompa. Edilece Couto destaca que até o século 19 não existiam muitos divertimentos em Salvador. As festas ligadas à religião eram uma oportunidade para encontros familiares, namoros, fortalecimento de identidades étnicas. “No século 20, com o aparecimento de cinema, teatro, Carnaval, elas perderam parte da função social, mas permaneceram como a afirmação da identidade, principalmente da população afrodescendente”, ressalta Edilece, que pesquisou festas religiosas da Bahia em seu doutorado na Universidade do Estado de São Paulo (Unesp).
OGUM MAIOR QUE TUDO
O sociólogo Reginaldo Prandi sugere outras explicações para as manifestações religiosas na Bahia: “Os elementos da religiosidade são intencionalmente expostos, usados para desenhar o perfil sui generis da cidade de Salvador”. Assim, esculturas de orixás do artista plástico Tatti Moreno decoram, imponentes, o dique do Tororó. As festas, como a de Iemanjá, lavagem do Bonfim, Nossa Senhora da Conceição da Praia e muitas outras, fazem parte do calendário turístico da cidade. “Na Bahia, a fé foi assumida do ponto de vista turístico e permitiu a perpetuação de muitas festas públicas que se perderam em outros lugares do Brasil”, observa Prandi. Como diz o povo do candomblé: Ogum é maior do que tudo isso!

Texto: Simone Serpa

Fonte: http://bonsfluidos.abril.uol.com.br/livre/edicoes/0106/03/03.shtml

Luis Carlos de Menezes, físico e educador da USP, propõe que a escola trate explicitamente da violência para conseguir realizar sua função social.A onda de violência que atinge escolas no Brasil também é vista em outras partes do mundo. Nos últimos tempos, casos de jovens assassinados em nossas escolas se alternam com notícias de matanças múltiplas em colégios norte-americanos. Mais recentemente, no intervalo de poucos dias, sucederam-se notícias de agressões em que uma professora teve os dentes quebrados, outra teve um dedo decepado, outra ainda os cabelos queimados - e um professor foi morto a tiros.
Nessas horas me vem à mente a lembrança de um amigo de grande sabedoria e humanismo, cuja capacidade de esperança permitia enxergar além do imediato e vislumbrar saídas. Há pouco mais de dez anos, eu o ouvi pela última vez, pelo rádio, entrevistado justamente sobre a violência, que já se agravava. Paulo Freire parecia perplexo, pois a escola era para ele um cenário em que os conflitos são tratados, mas em nenhuma hipótese com agressões. Ao escrever agora sobre esse tema, lembro que meu velho amigo morreu antes que pudéssemos voltar a conversar e reconheço que preciso recuperar a sintonia com minhas heranças humanistas para propor ações em que a dimensão pedagógica se sobreponha à repressiva.
Sabemos que nenhuma escola é uma ilha, mas parte da sociedade. E no nosso caso essa sociedade tem-se embrutecido de forma espantosa. O roubo, o tráfico, a corrupção, o desrespeito e o preconceito levam a atos violentos e criminosos. Para recompor valores deteriorados e conseguir preparar os jovens para a vida, a escola não pode ignorar a violência em suas próprias práticas e precisa trazer as questões do mundo para a sala de aula.
Alunos agredidos, livros roubados, alunas assediadas, funcionários humilhados, ofensas entre professores e alunos. Todos esses são exemplos de situações internas à escola que precisam ser enfrentadas com a mesma firmeza com que debatemos a violência do mundo em geral. Do contrário, nosso papel formador não será cumprido. Tudo no ambiente escolar tem caráter pedagógico. Compreender como o abuso do álcool ameaça quem está ao volante (e também quem está nas ruas e no convívio doméstico), desenvolver projetos que mostrem como a intolerância, a injustiça e o preconceito resultam em violência (tanto entre nações como entre pessoas), estabelecer paralelos entre o que se vive na escola e o que se vê fora dela são apenas alguns exemplos de como não fugir dessa difícil questão.
Numa sociedade violenta, a escola deve se contrapor abertamente à cultura de agressões. Acredito que as situações que dizem respeito a questões internas devem ser tratadas nos conselhos de classe, identificando responsabilidades, garantindo reparações e promovendo formação. Mas a atitude firme contra a violência deve antecipar-se aos fatos como parte do projeto educativo. Turmas de alunos e novos professores devem ser recebidos a cada ano com um diálogo de compromisso, que apresente e aperfeiçoe as regras de convívio, para que não se desrespeitem os mestres em seu trabalho nem os jovens em seu aprendizado. Como meios e fins devem ser compatíveis, são necessários tempo e instalações, especialmente previstos para o convívio, pois quem é tratado como gado ou fera, enquadrado em carteiras perfiladas ou coletivamente abandonado em pátios áridos, mais facilmente vai se comportar como gado ou fera.

Por Luis Carlos de MenezesRevista Nova Escola - 08/2007

VIOLÊNCIA NAS ESCOLAS.





Estamos assistindo quase todos os dias pela TV cenas de violência contra professores da rede pública de ensino em algumas regiões do nosso país. Isso tem nos deixado assustados, porque nunca houve tantos casos assim anteriormente.
A violência nas escolas está sendo, de certa forma banalizada e isso é muito preocupante, porque o professor deveria ser respeitado e idolatrado, por ser aquele que conduz ao caminho da sabedoria e do conhecimento e formador de opiniões e de cidadãos.
O magistério é uma das profissões mais dignas que uma pessoa pode exercer, pois, todas as outras profissões passam por ela. É certo, no entanto, que a escola não acompanhou a evolução e as transformações que a era da tecnologia e do conhecimento exigem para o desenvolvimento da aprendizagem. Também é certo que o sistema de ensino está mais preocupado com resultados e índices do que propriamente com a qualidade desse ensino, muito embora faça cobranças colocando a cargo do professor a culpa pelo bom ou mau desempenho da escola.
Ora, sabemos que a maioria dos jovens e crianças que freqüentam nossas escolas é oriunda de famílias desestruturadas e que, por conta disso, a escola está responsável, também, por ensinar boas maneiras, ou seja, educar essas crianças e esses jovens ensinando-lhes limites que deveriam ter aprendido em casa com seus pais. Acaba, com isso, que a verdadeira função da escola está sendo desviada para obrigações que não são dela tendo que dar conta do currículo oficial previsto no planejamento do professor, bem como do currículo oculto presente nos temas que preparam nossos alunos para o pleno exercício da cidadania.
Também hoje, o professor precisa aprender a lidar com uma nova realidade, a do multiculturalismo, e respeitar as diferenças, bem como ser criativo na sua didática para evitar confrontos e dissabores que acabam por explodir em atos de violência contra ele mesmo.
O trabalho docente está se transformando em um trabalho de alto risco, porque se o professor exige do aluno responsabilidade nos estudos, ele sofre violência tanto física quanto verbal, mas se não exige e ensina de qualquer jeito, é taxado de incompetente e responsabilizado pela má formação desse aluno. Acredito, entretanto, que não devemos ser nem de mais nem de menos, porém não podemos baratear a educação e o nosso sistema de ensino como estamos vendo acontecer através dos resultados das avaliações que os meios de comunicação nos apresentam.
Tudo tem uma causa e uma conseqüência. A violência nas escolas está chamando a nossa atenção para algo que está errado. A educação é para todos sim, respeitando-se as diferenças, mas o respeito a quem ensina também deve ser garantido.
Uma Nação não se fortalece na sua cidadania sem Educação e uma Escola não se estrutura sem um professor. Portanto, está na hora do Estado voltar seus olhos para o que está acontecendo e defender seus professores, valorizando-os com salários mais dignos, com escolas melhor equipadas, com salas de aulas de no máximo 25 alunos, com planos de saúde de qualidade e garantia de assistência, com segurança no trabalho, bolsas de estudo para seu crescimento intelectual e profissional, bem como o respeito que todos eles merecem ter.
De uma coisa temos certeza, o professor perdeu o seu status. A cada dia que passa ele perde o status na sociedade para outras categorias que ironicamente passaram e ainda passam por suas mãos. O professor já foi muito mais respeitado do que é hoje. Mas, mesmo não sendo verdadeiramente valorizado como deveria a relação que o professor deve continuar tendo com seus alunos é de uma relação ativa para a transformação porque, como dizia Paulo Freire: “Há uma dimensão, de que participa todo professor, que diz respeito a seu papel, independentemente de sua opção política... É o ato de ensinar o que tem de ser ensinado”.
Maria Inez

Camada de Ozônio



Buraco na camada de ozônio da Antártida surge mais cedo em 2007
Da Reuters, em Genebra
O buraco na camada de ozônio que recobre a Antártida apareceu mais cedo do que o usual em 2007, afirmou nesta terça-feira a agência meteorológica da Organização das Nações Unidas (ONU).A Organização Meteorológica Mundial (WMO na sigla em inglês) disse que não seria possível confirmar nas próximas semanas se o buraco na camada de ozônio, que deve continuar aumentando até o início de outubro, seria maior do que o tamanho recorde registrado em 2006."Ainda é cedo demais para dar uma declaração definitiva sobre os avanços do buraco na camada de ozônio neste ano e sobre a perda de ozônio que vai ocorrer. Isso dependerá, em grande medida, das condições atmosféricas", afirmou a agência, com sede em Genebra.A camada de ozônio protege a Terra dos raios ultravioleta, que podem provocar câncer de pele.Segundo a WMO, apesar de ter diminuído a utilização de clorofluorcarbonetos (CFCs), uma substância danosa à camada de ozônio, grandes quantidades de cloro e bromo permanecem na atmosfera e continuariam provocando buracos na camada protetora pelos próximos anos."Apesar de as substâncias prejudiciais à camada de ozônio estarem diminuindo gradativamente, não há nenhum sinal de que o buraco na camada de ozônio sobre a Antártida esteja diminuindo", afirmou a agência em um relatório.A WMO e o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente disseram que, em 2049, a camada de ozônio deve regressar a seus níveis de antes de 1980 sobre grande parte da Europa, da América do Norte, da Ásia, da Australásia, da América Latina e da África.
Mas, na Antártida, segundo as agências, a recuperação da camada de ozônio deve demorar até 2065.

A harminia no ambiente escolar



Cecília Meirelles, em sua saborosa poética, assim escreve: "Ensinar é acordar a criatura humana dessa espécie de sonambulismo em que tantos se deixam arrastar. Mostrar-lhes a vida em profundidade. Sem pretensão filosófica ou de salvação - mas por uma contemplação poética, afetuosa e participante." Quando se lê a educação com esse olhar de Cecília, parece que o dia-a-dia na relação professor-aluno é encantado. Muitos dirão que essa elevação afetiva só funciona no plano das idéias e que na prática se assiste a um aviltante processo de destruição das relações humanas. A violência nas escolas se materializa em agressões verbais e físicas. O professor se sente vítima de um sistema que não o valoriza, portanto não o entende bem, nem o protege. Os alunos parecem prontos para a batalha. Padecem de amor e de limites. A ausência familiar se faz sentir na postura agressiva ou apatia em sala de aula. Além disso, e talvez por isso, tentam disputar poder com os professores que, por sua vez, se deixam levar em um debate desnecessário. Há um axioma essencial na relação entre professor e aluno: autoridade harmonizada pelo afeto. O aluno precisa de limite e precisa compreender o papel do educador. O educador não pode impor sua autoridade, mas deve conquistá-la. Sem brigas nem ameaças. Sem histeria nem parcimônia. Com o respeito de quem sabe ensinar e aprender e de quem harmoniza as relações. Há algumas dicas para essa relação harmoniosa. Evidentemente, são a experiência e a disposição do professor que farão com que ele toque na alma do seu aluno - sem isso não há educação. Entre essas dicas, algumas proibições. A primeira delas é que professor não pode brigar com aluno, mesmo que tenha razão. Se isso acontecer, parte da sala torcerá pelo aluno e a outra pelo professor, assim, ele deixa de ser referencial. A segunda: professor não pode colocar apelido em aluno. Terceira: não deve comparar um com o outro - é preciso lembrar que não há homogeneidade no processo educativo, mas heterogeneidade. Quarta: professor não pode se mostrar arrogante nem subserviente. O meio termo é amoroso. E aí voltamos a Cecília Meirelles. A harmonia no ambiente escolar há de ocorrer quando se consegue quebrar a carcaça que envolve alguns alunos, pela falta de algo que deveria ter vindo antes. É esse sonambulismo, essa postura incorreta frente à vida e frente a si mesmo. Trata-se de ajudá-lo a viver essa contemplação poética, ou, em termos aristotélicos, a buscar uma aspiração para a vida. Ou ainda em Paulo Freire, ajudá-los a desenvolver autonomia para sonhar. Aí sim, o professor mostrará autoridade. Autoridade generosa de quem confia e cobra. De quem contrata no melhor sentido da palavra. E é nesse bom caminho que entra o afeto como instrumento de poder e participação. É do olhar do mestre que saem essas virtudes. O olhar que acolhe e que constrange quando necessário. O olhar que se faz cúmplice nas boas conquistas e que lamenta docemente pelo que se perdeu. O olhar que mantém o silêncio na sala de aula, sem gritos ou lamentações, mas que é capaz de chorar pela emoção de mais um aprendiz que encontrou seu caminho. A harmonia no ambiente escolar não é uma utopia. É talvez uma tarefa complexa que exige o que de melhor podem dar os educadores: competência, coragem e muito, muito amor!
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As pessoas ainda não foram terminadas.




As diferenças entre um sábio e um cientista? São muitas e não posso dizer todas. Só algumas. O sábio conhece com a boca, o cientista, com a cabeça. Aquilo que o sábio conhece tem sabor, é comida, conhecimento corporal. O corpo gosta. A palavra "sapio", em latim, quer dizer "eu degusto"... O sábio é um cozinheiro que faz pratos saborosos com o que a vida oferece. O saber do sábio dá alegria, razões para viver. Já o que o cientista oferece não tem gosto, não mexe com o corpo, não dá razões para viver. O cientista retruca: "Não tem gosto, mas tem poder"... É verdade. O sábio ensina coisas do amor. O cientista, do poder. Para o cientista, o silêncio é o espaço da ignorância. Nele não mora saber algum; é um vazio que nada diz. Para o sábio o silêncio é o tempo da escuta, quando se ouve uma melodia que faz chorar, como disse Fernando Pessoa num dos seus poemas. Roland Barthes, já velho, confessou que abandonara os saberes faláveis e se dedicava, no seu momento crepuscular, aos sabores inefáveis. Outra diferença é que para ser cientista há de se estudar muito, enquanto para ser sábio não é preciso estudar. Um dos aforismos do Tao-Te-Ching diz o seguinte: "Na busca dos saberes, cada dia alguma coisa é acrescentada. Na busca da sabedoria, cada dia alguma coisa é abandonada". O cientista soma. O sábio subtrai. Riobaldo, ao que me consta, não tinha diploma. E, não obstante, era sábio. Vejam só o que ele disse: "O senhor mire e veja: o mais importante e bonito do mun­do é isto: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas - mas que elas vão sempre mudando..." É só por causa dessa sabedoria que há educadores. A educação acontece enquanto as pessoas vão mudando, para que não deixem de mudar. Se as pessoas estivessem prontas não haveria lugar para a educação. O educador ajuda os outros a irem mudando no tempo. Eu mesmo já mudei nem sei quantas vezes. As pessoas da minha geração são as que viveram mais tempo, não pelo número de anos contados pelos relógios e calendários, mas pela infinidade de mundos por que passamos num tempo tão curto. Nos meus 74 anos, meu corpo e minha cabeça viajaram do mundo da pedra lascada e da madeira - monjolo, pi­lão, lamparina - até o mundo dos computadores e da internet. Os animais e plantas também mudam, mas tão devagar que não percebemos. Estão prontos. Abelhas, vespas, cobras, formigas, pássaros, aranhas são o que são e fazem o que fazem há milhões de anos. Porque estão prontos, não precisam pensar e não podem ser educados. Sua programação, o tal de DNA, já nasce pronta. Seus corpos já nascem sabendo o que precisam saber para viver. Conosco aconteceu diferente. Parece que, ao nos criar, o Criador cometeu um erro (ou nos pregou uma peça!): deu-nos um DNA incompleto. E porque nosso DNA é incompleto somos condenados a pensar. Pensar para quê? Para inventar a vida! É por isso, porque nosso DNA é incompleto, que inventamos poesia, culinária, música, ciência, arquitetura, jardins, religiões, esses mundos a que se dá o nome de cultura. Pra isso existem os educadores: para cumprir o dito do Riobaldo... Uma escola é um caldeirão de bruxas que o educador vai mexendo para "desigualizar" as pessoas e fazer outros mundos nascerem...
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RUBEM ALVES
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Brasil é reprovado, de novo, em matemática e leitura


PESQUISA
Brasil é reprovado, de novo, em matemática e leitura

A péssima posição do Brasil no ranking de aprendizado em ciências se repetiu nas provas de matemática e leitura. Os resultados do Pisa (sigla, em inglês, para Programa Internacional de Avaliação de Alunos), divulgados ontem pela OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico), mostram que os alunos brasileiros obtiveram em 2006 médias que os colocam na 53ª posição em matemática (entre 57 países) e na 48ª em leitura (entre 56).O objetivo do Pisa é comparar o desempenho dos países na educação. Para isso, são aplicados de três em três anos testes a alunos de 15 anos em nações que participam do programa. O ranking de ciências, divulgado na semana passada, colocava o Brasil na 52ª posição.Além de estarem entre os piores nas três provas nessa lista de países, a maioria dos estudantes brasileiros atinge, no máximo, o menor nível de aprendizado nas disciplinas.O pior resultado aparece em matemática. Numa escala que vai até seis, 73% dos brasileiros estão situados no nível um ou abaixo disso. Significa, por exemplo, que só conseguem responder questões com contextos familiares e perguntas definidas de forma clara.Em leitura, 56% dos jovens estão apenas no nível um ou abaixo dele. Na escala, que vai até cinco nessa prova, significa que são capazes apenas de localizar informações explícitas no texto e fazer conexões simples.Em ciências, 61% tiveram desempenho que os colocam abaixo ou somente no nível um de uma escala que vai até seis. Isso significa que seu conhecimento científico é limitado e aplicado somente a poucas situações familiares.Nos três casos, a proporção de alunos nos níveis mais baixos é muito maior do que a média da OCDE, que congrega, em sua maioria, países ricos.Comparando o desempenho do Brasil no exame 2003 (que já era ruim) com o de 2006, as notas pioraram em leitura, ficaram estáveis em ciências e melhoraram em matemática.Uma melhoria insuficiente, porém, para tirar o país das últimas posições, já que foi em matemática que o país se saiu pior em 2006, com médias superiores apenas às de Quirguistão, Qatar e Tunísia e semelhantes às da Colômbia.Como há uma margem de erro para cada país, a colocação brasileira pode variar da 53ª, no melhor cenário, para a 55ª, no pior. O mesmo ocorre para as provas de leitura e ciências. No de leitura, varia da 46ª à 51ª. Em ciência, da 50ª à 54ª.A secretária de Educação do governo José Serra (PSDB-SP), Maria Helena de Castro, diz que o resultado em leitura é lamentável. "Essa é uma macrocompetência, básica para que os alunos desenvolvam as outras, como matemática, raciocínio crítico." Nos exames, São Paulo ficou abaixo da média nacional nas três áreas avaliadas.Suely Druck, da Sociedade Brasileira de Matemática, diz que, em geral, os alunos de outros países, assim como os do Brasil, tiveram desempenho pior em matemática na comparação com as outras disciplinas."A matemática se distingue das outras porque desde cedo a criança já tem que ter conhecimento teórico e é um aprendizado seqüencial, ou seja, antes de aprender a multiplicar, tem que saber somar." Por isso, defende que se exija um conteúdo mínimo em matemática para o professor dos primeiros anos do ensino fundamental, quando todas as matérias são ainda ensinadas pela mesma pessoa.O Pisa permite também comparar meninos e meninas. Em matemática e ciências, no Brasil, eles se saíram melhor. Em leitura, elas foram melhor.

GAIOLAS E ASAS


Rubem AlvesCRÔNICA
Pensamentos me chegam de forma inesperada, sob a forma de aforismos. Fico feliz porque sei que Lichtenberg, William Blake e Nietzsche frequentemente eram também atacados por eles. Digo "atacados" porque eles surgem repentinamente, sem preparo, com a força de um raio. Aforismos são visões: fazem ver, sem explicar. Pois ontem, de repente, esse aforismo me atacou: "Há escolas que são gaiolas. Há escolas que são asas".Escolas que são gaiolas existem para que os pássaros desaprendam a arte do vôo. Pássaros engaiolados são pássaros sob controle. Engaiolados, o seu dono pode levá-las para onde quiser. Pássaros engaiolados sempre têm um dono. Deixaram de ser pássaros. Porque a essência dos pássaros é o vôo.Escolas que são asas não amam pássaros engaiolados. O que elas amam são os pássaros em vôo. Existem para dar aos pássaros coragem para voar. Ensinar o vôo, isso elas não podem fazer, porque o vôo já nasce dentro dos pássaros. O vôo não pode ser ensinado. Só pode ser encorajado.Esse simples aforismo nasceu de um sofrimento: sofri conversando com professoras de segundo grau, em escolas de periferia. O que elas contam são relatos de horror e medo. Balbúrdia, gritaria, desrespeito, ofensas, ameaças... E elas, timidamente, pedindo silêncio, tentando fazer as coisas que a burocracia determina que sejam feitas, como dar o programa, fazer avaliações... Ouvindo os seus relatos, vi uma jaula cheia de tigres famintos, dentes arreganhados, garras à mostra - e a domadoras com seus chicotes, fazendo ameaças fracas demais para a força dos tigres.Sentir alegria ao sair de casa para ir à escola? Ter prazer em ensinar? Amar os alunos? O sonho é livrar-se de tudo aquilo. Mas não podem. A porta de ferro que fecha os tigres é a mesma porta que as fecha com os tigres.Nos tempos de minha infância, eu tinha um prazer cruel: pegar passarinhos. Fazia minhas próprias arapucas, punha fubá dentro e ficava escondido, esperando... O pobre passarinho vinha, atraído pelo fubá. Ia comendo, entrava na arapuca e pisava no poleiro. E era uma vez um passarinho voante. Cuidadosamente eu enfiava a mão na arapuca, pegava o passarinho e o colocava dentro de uma gaiola. O pássaro se lançava furiosamente contra os arames, batia as asas, crispava as garras e enfiava o bico entre os vãos. Na inútil tentativa de ganhar de novo o espaço, ficava ensanguentado... Sempre me lembro com tristeza da minha crueldade infantil.Violento, o pássaro que luta contra os arames da gaiola? Ou violenta será a imóvel gaiola que o prende? Violentos, os adolescentes de periferia? Ou serão as escolas que são violentas? As escolas serão gaiolas? Vão me falar sobre a necessidade das escolas dizendo que os adolescentes de periferia precisam ser educados para melhorarem de vida. De acordo. É preciso que os adolescentes, que todos, tenham uma boa educação. Uma boa educação abre os caminhos de uma vida melhor. Mas eu pergunto: nossas escolas estão dando uma boa educação? O que é uma boa educação?O que os burocratas pressupõe sem pensar é que os alunos ganham uma boa educação se aprendem os conteúdos dos programas oficiais. E, para testar a qualidade da educação, criam mecanismos, provas e avaliações, acrescidos dos novos exames elaborados pelo Ministério da Educação.Mas será mesmo? Será que a aprendizagem dos programas oficiais se identifica com o ideal de uma boa educação? Você sabe o que é "dígrafo"? E os usos da partícula "se"? E o nome das enzimas que entram na digestão? E o sujeito da frase "Ouviram do Ipiranga as margens plácidas de um povo heróico o brado retumbante"? Qual a utilidade da palavra "mesóclise"? Pobres professoras, também engaioladas... São obrigadas a ensinar o que os programas mandam, sabendo que é inútil. Isso é hábito velho das escolas. Bruno Bettelheim relata sua experiência com as escolas: "Fui forçado (!) a estudar o que os professores haviam decidido que eu deveria aprender. E aprender à sua maneira".O sujeito da educação é o corpo, porque é nele que está a vida. É o corpo que quer aprender para poder viver. É ele que dá as ordens. A inteligência é um instrumento do corpo cuja função é ajudá-lo a viver. Nietzsche dizia que ela, a inteligência, era "ferramenta" e "brinquedo" do corpo. Nisso se resume o programa educacional do corpo: aprender "ferramentas", aprender "brinquedos"."Ferramentas" são conhecimentos que nos permitem resolver os problemas vitais do dia-a-dia. "Brinquedos" são todas aquelas coisas que, não tendo nenhuma utilidade como ferramentas, dão prazer e alegria à alma.Nessas duas palavras, ferramentas e brinquedos, está o resumo da educação. Ferramentas e brinquedos não são gaiolas. São asas. Ferramentas me permitem voar pelos caminhos do mundo.Brinquedos me permitem voar pelos caminhos da alma. Quem está aprendendo ferramentas e brinquedos está aprendendo liberdade, não fica violento. Fica alegre, vendo as asas crescer... Assim todo professor, ao ensinar, teria de se perguntar: "Isso que vou ensinar, é ferramenta? É brinquedo?" Se não for, é melhor deixar de lado.As estatísticas oficiais anunciam o aumento das escolas e o aumento dos alunos matriculados. Esses dados não me dizem nada. Não me dizem se são gaiolas ou asas. Mas eu sei que há professores que amam o vôo dos seus alunos.Há esperança...

O SABER E O SABOR

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Palestra: Mario Sergio Cortella

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O SEGREDO

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GONZAGUINHA

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IÇAMI TIBA

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quadro da educação

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sistema educacional - desabafo

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Crônica - Sinto vergonha de mim

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INCLUSÃO SOCIAL

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iclusão escolar

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filmes

  • A casa do lago
  • A filha do presidente
  • Amizade Colorida
  • Antes que termine o dia
  • Cavalo de Guerra
  • Conversando com Deus
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