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Planeta Sustentável

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Análise do texto “O Luizinho da segunda fila” de Celso Antunes.




Com uma  descrição perfeita, o autor do texto faz uma crítica à maneira como  as avaliações acontecem na escola.  Para ele, nem sempre os professores estão preparados para identificar o modo como o aluno aprende. Ou seja, nem todos conseguem entender o processo da aprendizagem significativa e como funciona a estrutura cognitiva na organização do conhecimento presente no aprendiz e, que deve ser a principal variável a ser considerada por professores e educadores durante o processo ensino-aprendizagem.
 Entretanto, para que a aprendizagem significativa aconteça, conforme explica Ausubel, o conteúdo apresentado tem que estar relacionado com a vivência do aluno e ter algum significado para ele.
 O professor Marcelo, personagem importante nesse processo, conseguiu isso com os seus alunos, expondo a matéria sobre o Pantanal e relacionando com os fatos e acontecimentos do dia a dia de cada um. Ou seja, ele conseguiu, de acordo com Ausubel, o conhecimento prévio do aluno para  que o novo conteúdo escolar   fosse  lembrado e retido por mais tempo, mas não aceitou o modo como o Luiz descreveu essa aprendizagem.
O que aconteceu com “o Luizinho da segunda fila” foi simplesmente a demonstração do modo como ele aprende. A sua estrutura cognitiva, como o autor do texto comenta no último parágrafo, é pictórica e muito mais fluida do que a memória verbal.
 Mesmo não conhecendo o pantanal, Luizinho conseguiu, por meio do desenho, demonstrar o que tinha aprendido sobre os rios, aves , vegetação, pois a aula foi interessante, bem organizada e lhe chamou a atenção, porém teve sua avaliação desconsiderada, porque não escreveu uma redação conforme as normas estabelecidas.
Despreparo do professor? Talvez, pois, como disse Celso Antunes, o professor não estava “treinado para ouvir linguagens diferentes”.
  O fato é que o aluno Luizinho tinha todos os conceitos na sua estrutura cognitiva a respeito daquele tema, e os organizou em forma de desenho, construindo uma imagem completa do que havia aprendido sobre o Pantanal.
Se o professor tivesse levado em consideração o que ele dizia ter entendido sobre a teoria de Piaget, certamente teria aceitado a redação de Luizinho e lhe dado à nota máxima.

Por que  normalmente o professor apresenta o conteúdo teoria literária desvinculado do texto literário?

A resposta talvez esteja na maneira como o professor expõem o conteúdo com aulas expositivas e fundamentadas nos livros didáticos, com um ensino abstrato, fragmentado e desvinculado do contexto do aluno. Também, não há um interesse do aluno pela leitura dos textos clássicos, já que os professores não trabalham a análise crítica dos textos e  seus autores.
Outra justificativa é de que a Literatura acha-se inserida na área de Língua Portuguesa, como um programa a ser cumprido no currículo, de modo que os textos literários são trabalhados pelos professores para se fazer análise gramatical, tornando-os difíceis de serem lidos pelos alunos. Bordini(1989, p. 9) assevera que “[...]a Literatura é ensinada para aprender gramática, para revisar a História, a Sociologia, a Psicologia e para dirigir melhor. Tornando-se matéria para adornar outras ciências, o texto literário descaracteriza e afasta de si o leitor.”
Isso permite dizer que o conteúdo literário, que busca interpretar os textos literários e as obras do autor, é pouco ou quase nada trabalhado em sala de aula, pois isso envolve a escrita de resenhas, análise textual, bem como exige a análise de alguns conceitos como discurso, espaço, estrutura da obra, linguagem, etc.
É muito mais fácil, pois exige muito menos tempo, desenvolver atividades de interpretação por meio de questionários pré-elaborados, do que apresentar atividades diversificadas que levarão o aluno a compreensão literária e uma análise mais crítica da obra. Ou seja, as concepções de leitura que ainda permeiam as salas de aulas, é a do consumo rápido de textos em detrimento a seleção qualitativa do material a ser trabalhado, para que se crie no aluno o ato de ler como uma ação cultural.
Para Silva(1998, p. 61) o tratamento dado ao texto literário é realizado por meio de fichas de interpretação, dando uma ideia de que o aluno precisa apenas dar informações como: título da obra, nome do autor, descrição dos personagens principais e secundárias, entre outros que não avaliam, de fato, a compreensão do texto.
Na verdade, o aluno precisa ser estimulado a inferir, preencher as entrelinhas e reconstruir as pistas textuais para ser capaz de atingir um nível de criticidade no ato de ler.

Referências

BORDINI, Maria da Glória. Guia de leituras para alunos de 1º e 2º graus. Centro de Pesquisas  Literárias. Porto Alegre: PUCRS/Cortez, 1989.
SILVA, E. Criticidade e leitura. 1998b. Campinas : Mercado de Letras.

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