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Planeta Sustentável

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

FORMÇÃO DOCENTE: RECUSAR O PEDAGÓGICO




Mario Sergio Cortella*
Todas as vezes que se começa a discutir a Educação no Brasil, seus
desatinos, transtornos e putrefações, um certo desalento invade variados
territórios mentais e, melancolicamente, pessoas suspiram: “É, a escola pública do
passado é que era boa; temos de resgatar aquela qualidade de ensino e a
dedicação dos professores ”.
Resgatar! Resgatar a cidadania, resgatar a democracia, resgatar a
qualidade da escola! Já ouviu ou leu isso?
Mera ilusão; o verbo supõe que algo já existiu e é preciso ir à busca e
trazer de volta o que um dia já esteve presente. Ora, cidadania não é mera
garantia de direitos formais, assim como democracia não se esgota em sufrágios
eventuais nem qualidade da escola dever ser confundida com privilégio.
Insista-se: em uma democracia cidadã, é indispensável sempre pensar em
qualidade social, o que, evidentemente, exige quantidade total; em uma sociedade
na qual se deseje vivência igualitária, qualidade sem quantidade não é qualidade,
é privilégio.
Ainda não tivemos cidadania, democracia e Qualidade socialmente
distribuídas e eqüitativamente apropriadas e, desse modo, a nossa tarefa é
construir e não resgatar. Se quisermos colocar a formação de professores como
um elemento essencial nesse projeto de construção de um futuro coletivamente
digno, temos de ir até algumas causas mais profundas e visitar um pouco a gênese
de determinados equívocos.
Calma lá! Não é assim tão simples escolher um único culpado...
Costumo começar várias reflexões com colegas docentes, especialmente aquelas
e aqueles que atuam na Educação Básica, lembrando de forma caricatural uma
das frases mais proclamadas por nós: “Os alunos de hoje não são mais os
mesmos”! Após algumas repetições mais teatrais da mesma exclamação, ressalto
que isso é algo óbvio por completo. Digo eu: “É claro que os alunos de hoje não
são mais os mesmos! Até aí, quem isso fala, demonstra apenas um pouco de
sanidade mental”. Na seqüência, completo: “Maluco é quem, isso constatando,
continua a dar aulas do mesmo modo que dava há 15 ou 20 anos”...
O desejado acontece, muitas são as risadas autocomplacentes e, em meio
a esse humor voluntário, vem uma certa clareza sobre o distanciamento entre a
nossa formação como docentes e o perfil e natureza dos discentes com os quais
partilhamos a atividade pedagógica.
É quase imediato, então, concluir: “Está vendo! Se os professores e as
professoras tivessem consciência disso, tudo seria diferente. Mas, não! Continuam,
porque são descompromissados, a fazer tudo como sempre fizeram; só podia
fracassar mesmo a Educação brasileira”.
Nessa hora, cautela com as conclusões fáceis e explicações superficiais!
Não dá para somente psicologizar ou psicanalisar a questão, procurando na
subjetividade do docente a fonte dos malefícios; isso também importa, mas, é
menos substantivo do que os fatos originados da análise sociológica, política,
econômica e, portanto, histórica. Do contrário, somos tentados a, rapidamente,
incriminar com exclusividade os professores pelas múltiplas fontes e dimensões do
fracasso escolar no Brasil, que prefiro – criando um neologismo meio torto –
chamar de pedagocídio.
Nesse ofício pedagocida, é bastante interessante o papel que vem sendo
exercido por alguns “achologistas” que, sem nunca terem atuado de fato na
educação escolar, e apenas porque escolas freqüentaram ou freqüentam,
passaram a oferecer cenários educacionais oníricos, desde que, claro, se consiga
“converter” os professores e resgatar “a pureza de um trabalho que perdeu a sua
alma nos últimos anos”. Nessa empreitada pouco epistêmica e bastante
doxológica, confundem autores com atores e protegem um privatismo meramente
mercantil.
Pior ainda, há vários intelectuais ligados à Educação que vem-se prestando
à tarefa de escrever livros cujo foco central é desmoralizar e tripudiar sobre a
escola (mormente a pública), sob o pretexto de fazer uma crítica salvacionista.
Outro dia, ao ser perguntado em entrevista (Direcional, maio/2006) se não
estaríamos vivendo o fim da escola, respondi:
“Ao contrário, até não gosto de alguns pensadores e educadores que hoje
banalizam e desprezam a escola. Falam continuamente contra a escola e fazem
aquilo que rejeito, que é a necropsia da escola. Eu não gosto de fazer necropsia da
escola, mas de fazer biopsia da escola. A biopsia seria pegar aquilo que vivo está,
examinar o que contém de problemas, para mantê-lo vivo. Já a necropsia serve
apenas para identificar a causa mortis. Isso de nada resolve. O desprezo pela
escola formal serve imensamente às elites. Como essas elites têm acesso a outras
formas de cultura letrada, a escola de uma certa maneira é muito secundária na
formação desses jovens”.
Na mesma conversa, ao ser indagado sobre as comparações entre a escola
pública e a escola particular, disse algo que há muitos anos defendo: “A questão
séria no nosso país não é a escola pública versus a escola particular, mas, é a
escola boa versus a escola ruim. Quem entrar no circuito escola pública versus
escola privada está entrando numa armadilha tonta. Escolas boas e ruins nós
temos em ambos os campos. (...) O que diferencia a escola pública da particular é
o tipo de aluno que a freqüenta. Inclusive porque uma parcela significativa dos
professores da rede pública dá aula também na rede privada. O aluno que
ingressa na escola pública é vitimado no cotidiano social por incapacidade
econômica, por dificuldade de acesso a outras fontes de informação, por uma
estrutura familiar depauperada. Elevar a condição desse aluno é elevar a condição
da escola também”.
O povo vai à escola: uma solução problemática?
Ué – pode-se replicar –, mas no passado a escola pública não era uma referência
de qualidade, superando qualquer dicotomia? E os alunos não eram igualmente
pobres, mesclados com os que tinham melhores condições financeiras? Onde
perdemos, então, essa qualidade?
Por incrível que pareça, nunca a perdemos, pois não existia como tal; o que
aconteceu foi algo aparentemente contraditório: a escola pública, nos últimos 40
anos, tornou-se Pública! Em outras palavras, a escola passou a ter, de forma
acelerada e contínua, grandes massas populacionais dentro dela e, nessa fase,
nós docentes não estávamos preparados e as elites predatórias não estavam
interessadas no problema.
Para nos ajudar a entender melhor a gênese da crise atual, retomo aqui, em
forma de decálogo, excertos literais rearranjados (para não ter de apenas escrever
de outro modo aquilo que atende à análise) de descrição por mim feita no livro A
Escola e o Conhecimento (Cortez):
1. A crise da Educação tem sido inerente à vida nacional porque não
atingimos ainda patamares mínimos de uma justiça social compatível
com a riqueza produzida pelo país e usufruída por uma minoria. Não é,
evidentemente, ”privilégio” da Educação; todos os setores sociais vivem
sucessivas e contínuas crises.
2. A crise educacional tem raízes estruturais históricas e se manifesta de
formas diversas em conjunturas específicas: confronto do ensino laico x
ensino confessional, conteúdos e metodologias, adequação a novas
ideologias, democratização do acesso, gestão democrática, educação
geral x formação especial, educação de jovens e adultos, escolaridade
reduzida, público x privado, baixa qualidade de ensino, movimentos
corporativos carecendo de greves constantes e prolongadas, despreparo
dos educadores, evasão e retenção escolar; esses e outros motivos de
crise ganham agudização episódica em oportunidades variadas por todo
este século em nosso país.
3. Os últimos 40 anos da história brasileira foram marcados por um
fenômeno de conseqüências profundas e múltiplas: um acelerado
processo de urbanização que acabou por transferir a maioria absoluta
de nossa população das áreas rurais para as cidades. Há 30 anos,
pouco mais de 30% dos brasileiros viviam nas cidades e,
consequentemente, a demanda por serviços públicos nos setores de
educação, saúde, habitação, infra-estrutura urbana etc. ficava bastante
restrita.
4. Os cidadãos não-proprietários que viviam nas áreas rurais, mormente
em um país predominantemente latifundiário, não tinham adequadas
condições de organização para alavancar reivindicações, seja por
estarem submetidos a um rígido controle político/econômico, seja pela
própria distribuição populacional mais isolada e menos concentrada;
ademais, do ponto de vista da produtividade do trabalho e da
lucratividade do capital, a escolarização dos trabalhadores, por exemplo,
não era (como ainda hoje pouco o é) um pré-requisito básico.
5. O modelo econômico implantado no país a partir de 1964 privilegiou a
organização de condições para a produção capitalista industrial e,
assim, o poder político central (atendendo aos interesses das elites)
direcionou os investimentos públicos para grandes obras de infraestrutura:
estradas, hidrelétricas, meios de comunicação etc.; o
financiamento para essa política e para a aquisição de equipamentos e
tecnologias foi obtido com empréstimos no exterior (pelo Estado ou por
particulares com o aval do Estado) e levou a um brutal endividamento do
país, retirando, cada dia mais, os recursos necessários para
investimentos nos setores sociais.
6. Ora, a aceleração da industrialização capitalista exige a concentração
dos meios de produção e, claro, dos trabalhadores, gerando uma
urbanização crescente e desorganizada; a ausência de uma reforma
agrária efetiva, as benesses de incentivos fiscais aos grandes
proprietários, a prioridade ao plantio de produtos agrícolas de colheita
mecânica para exportação, a hegemonia monocultural para fabricação
de álcool combustível (ocupando extensas áreas antes destinadas ao
cultivo de alimentos), tudo isso e muito mais contribuiu para a expulsão
da população rural em direção aos centros urbanos.
7. Ao mesmo tempo, e não por coincidência, os investimentos nos setores
sociais foram reduzidos drasticamente, não acompanhando
minimamente as novas necessidades urbanas decorrentes do modelo
econômico; disso, dois fatos emergiram: o colapso de serviços públicos
como educação e saúde (com seu inchaço despreparado) e a
progressiva ocupação deles pelo setor privado da economia.
8. Na Educação, alguns dos efeitos foram desastrosos: demanda explosiva
(sem um preparo suficiente da rede física), degradação do instrumental
didático/pedagógico nas unidades escolares (reduzindo a eficácia da
prática educativa), ingresso massivo de educadores sem formação
apropriada (com queda violenta da qualidade de ensino no momento em
que as camadas populares vão chegando de fato à escola), diminuição
acentuada das condições salariais dos educadores (multiplicando
jornadas de trabalho e prejudicando ainda mais a preparação),
imposição de projeto de profissionalização discente universal e
compulsória (desorganizando momentaneamente o já frágil sistema
educacional existente), domínio dos setores privatistas nas instâncias
normatizadoras (embaraçando a recuperação da Educação pública),
centralização excessiva dos recursos orçamentários (submetendo-os ao
controle político exclusivo e favorecendo a corrupção e o esperdício).
9. Fortalece-se a percepção de que, no momento em que as classes
trabalhadoras passam a freqüentar mais amiúde os bancos escolares,
os paradigmas pedagógicos em execução são insuficientes para dar
conta plenamente desse direito social e democrático. A qualidade tem
que ser tratada com a quantidade; não pode ser revigorado o antigo e
discricionário dilema da quantidade x qualidade e a democratização do
acesso e da permanência deve ser absorvida como um sinal de
qualidade social.
10. Essa qualidade social, por sua vez, carece de uma tradução em
qualidade de ensino e, assim, a formação do educador necessita
abranger o elemento técnico de especialização em uma área do saber
(e a capacitação contínua) e também a dimensão pedagógica da
capacidade de ensinar; a discussão sobre tal dimensão envolve ainda
temas mais amplos como a democratização da relação professor/aluno,
a democratização da relação dos educadores entre si e com as
instâncias dirigentes, a gestão democrática englobando as comunidades
e, por fim, como objetivo político/social mais equânime, a
democratização do saber.
E agora? O que fazer?
Não sabemos? Será que ainda temos de insistir mais? Não é tão complicado;
para começo de conversa, os docentes precisam de atualização científica (a
ser feita em parceria com universidades públicas e comunitárias), acesso a
tecnologias de ensino/aprendizagem (com equipamentos gratuitos nas
escolas e nas casas, pois elas são extensão usual do local de trabalho),
educação continuada (com reuniões semanais de grupos de formação por
área de conhecimento nas escolas e em agrupamentos de escolas), melhores
condições salariais (para permitir dedicação mais exclusiva e por mais tempo
a comunidades escolares), instalações prediais que comportem as
necessidades de escolarização/lazer/saúde/ das pessoas ali presentes.
Com que dinheiro tudo isso? Ora, não se afirma que a educação escolar
é fator decisivo para o desenvolvimento econômico? Se nosso país, com a
miserabilidade escolar que ainda (mas não para sempre) apresenta,
consegue ficar entre as 12 maiores economias do planeta, imagine se
resolvermos (em emenda constitucional) aplicar paulatinamente (1 ponto
percentual a mais por ano) até atingirmos 10% do PIB (em vez dos atuais 4%)
até 2012? Quem perderá?
Ninguém. Será o melhor investimento financeiro que as elites poderão
fazer, com retorno comprovado já em outras nações; será a melhor
recompensa para a maioria de uma população que, mesmo não escolarizada
a contento, já consegue patamares de sucesso econômico como nação a
ponto de superar outros 180 países filiados à ONU.
Por que não? Ou, deveremos sempre oferecer razão a Darcy Ribeiro,
quando, em julho de 1977, na cerimônia de abertura da Reunião Anual da
SBPC, realizada naquele ano na PUC-SP, afirmou enfaticamente que “a crise
da Educação no Brasil não é uma crise; é um projeto”.
* Professor-titular do Departamento de Teologia e Ciências da Religião e da Pós-Graduação
em Educação (Currículo) da PUC-SP.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

NAVEGUE





Fernando Pessoa

Navegue, descubra tesouros, mas não os tire do fundo do mar, o lugar deles é lá. Admire a lua, sonhe com ela, mas não queira trazê-la para a terra. Curta o sol, se deixe acariciar por ele, mas lembre-se que o seu calor é para todos. Sonhe com as estrelas, apenas sonhe, elas só podem brilhar no céu. Não tente deter o vento, ele precisa correr por toda parte, ele tem pressa de chegar sabe-se lá onde. Não apare a chuva, ela quer cair e molhar muitos rostos, não pode molhar só o seu. As lágrimas? Não as seque, elas precisam correr na minha, na sua, em todas as faces. O sorriso! Esse você deve segurar, não deixe-o ir embora, agarre-o! Quem você ama? Guarde dentro de um porta jóias, tranque, perca a chave! Quem você ama é a maior jóia que você possui, a mais valiosa. Não importa se a estação do ano muda, se o século vira e se o milênio é outro, se a idade aumenta; conserve a vontade de viver, não se chega à parte alguma sem ela. Abra todas as janelas que encontrar e as portas também. Persiga um sonho, mas não deixe ele viver sozinho. Alimente sua alma com amor, cure suas feridas com carinho. Descubra-se todos os dias, deixe-se levar pelas vontades, mas não enlouqueça por elas.
Procure, sempre procure o fim de uma história, seja ela qual for. Dê um sorriso para quem esqueceu como se faz isso. Acelere seus pensamentos, mas não permita que eles te consumam. Olhe para o lado, alguém precisa de você. Abasteça seu coração de fé, não a perca nunca. Mergulhe de cabeça nos seus desejos e satisfaça-os. Agonize de dor por um amigo, só saia dessa agonia se conseguir tirá-lo também. Procure os seus caminhos, mas não magoe ninguém nessa procura. Arrependa-se, volte atrás, peça perdão! Não se acostume com o que não o faz feliz, revolte-se quando julgar necessário. Alague seu coração de esperanças, mas não deixe que ele se afogue nelas. Se achar que precisa voltar, volte! Se perceber que precisa seguir, siga! Se estiver tudo errado, comece novamente. Se estiver tudo certo, continue. Se sentir saudades, mate-a. Se perder um amor, não se perca! Se achá-lo, segure-o! Circunda-te de rosas, ama, bebe e cala. O mais é nada".

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

PROFESSORES BRASILEIROS


Texto retirado da revista Educação


De bem com o trabalho, porém...Pesquisa revela que 56,9% dos professores brasileiros estão satisfeitos com as condições de trabalho; apenas 13% acreditam que seus conhecimentos são objeto de valorização dos alunos
Professores otimistas, satisfeitos com o seu trabalho e apaixonados pelo ensino. Aparentemente distante da realidade brasileira, essa descrição é exatamente o que se depreende da leitura de uma pesquisa realizada com mais de três mil professores brasileiros pela Organização dos Estados Ibero-americanos (OEI) e pela Fundação SM, braço social do Grupo SM. Coordenada pela coordenadora-executiva do Centro de Educação e Documentação para Ação Comunitária (Cedac), Maria Tereza Perez, a pesquisa As Emoções e os Valores dos Professores Brasileiros traz números expressivos: 56,9% estão satisfeitos com suas condições de trabalho; 53% são professores porque gostam de ensinar; 73,1% afirmam ser positivos em relação ao seu trabalho e 65,9% dos entrevistados não deixariam seu trabalho atual. "Mostramos que, ao contrário da percepção do senso comum, os professores têm compromisso e encaram o desafio de ensinar", afirma Maria Tereza.
Com o objetivo de mapear as emoções do professor e identificar quais são seus valores, o estudo aferiu a rea­lidade de sete Estados (Ceará, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Paraná, Rio de Janeiro e São Paulo) - sem a preocupação, por exemplo, de estabelecer critérios como "escola em região central" ou "em periferia". Para isso, enviou questionários fechados aos participantes (ou seja, ao responder à pergunta "está satisfeito com suas condições de trabalho", as condições de trabalho não foram especificadas). Num universo de 3.584 professores que responderam às perguntas, 45,7% são da rede particular e 54,3% da rede pública.
A pesquisa também revelou que o nível de satisfação do professorado brasileiro aumenta em função do número de anos dedicados ao magistério. Assim, enquanto 59,9% dos docentes com menos de três anos de experiência estão satisfeitos, a porcentagem aumenta para 69% no caso dos professores com mais de 30 anos de profissão. Maria Sena do Nascimento, 64 anos, 27 deles dedicados ao magistério, é uma das professoras otimistas. Hoje afastada por problemas de saúde, ela cuida de outras tarefas nas duas escolas públicas em que trabalha. "Não sei o que precisaria acontecer para eu dizer que não quero mais ser professora. Sinto falta da sala de aula todos os dias", conta. Para a coordenadora do Cedac, a explicação para o número está na recente investida do governo federal em educação. "Os professores mais velhos estão animados com a injeção de investimentos na qualidade da educação, que aconteceu a partir da década de 90. Os professores mais novos sentem que os investimentos precisam avançar mais", aponta.
Inversão
No que diz respeito à relação do professor com seus alunos, a pesquisa levantou um dado revelador: apenas 13% dos docentes acreditam que os alunos valorizam seu conhecimento. "Como, se a escola é, prioritariamente, o lugar do conhecimento? Que professor é esse?", indaga a coordenadora. Mais importante que o conhecimento é a valorização do professor pelo aluno, opção do questionário que obteve 29,1% das respostas na pesquisa. A falta de respeito é considerada por 53,5% dos entrevistados o maior motivo de insatisfação em relação aos alunos. Mas Maria Tereza pondera que, antes de exigir respeito dos alunos, a escola e os professores devem instituir uma cultura de respeito na instituição. "Como estamos respeitando esses alunos?", pergunta.
Os números dos professores Outros destaques do levantamento feito pela OEI e pela Fundação SM:
79,5 % dos professores consideram que a sociedade não valoriza os professores
51% também não se sentem valorizados pelos pais de alunos
74,5% consideram que a educação piorou bastante ou muito nos últimos anos
64,6% afirmam que seu principal defeito como professor é compreender os alunos mais difíceis
69,5% dizem participar de cursos de formação de professores freqüentemente
Na escola pública, outra percepção
Em contrapartida à pesquisa realizada pela Fundação SM e pela OEI, um outro levantamento, divulgado em meados de novembro pela Fundação Victor Civita e pelo Ibope, indica que apenas 21% dos professores estão satisfeitos. A pesquisa ouviu 500 docentes em todos os Estados brasileiros. Mas, diferentemente do outro estudo, este ficou circunscrito aos professores da rede pública. Um dos principais motivos de descontentamento é a instabilidade financeira. Enquanto apenas 32% dos professores afirmam ter conquistado estabilidade nesse quesito, 90% do total considera-a condição fundamental para uma boa qualidade de vida.
A pesquisa foi além: levantou que 90% dos professores afirmam ter boa didática de ensino, mas 70% dizem que a falta de motivação dos alunos é o principal problema em sala de aula. Para o professor Celso Favaretto, da Faculdade de Educação da USP, a falta de motivação está também na dupla jornada de muitos docentes, nas condições de trabalho precárias e com as salas de aula lotadas. "Essa insatisfação do professor com o trabalho está relacionada a uma má gestão de todo o sistema escolar", critica Favaretto.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

PARA QUE ALFABETIZAR?






Trecho do livro "Paulo Freire para educadores" de Vera Barreto




Certa vez uma alfabetizadora fez a Paulo Freire a pergunta
com que começamos este capítulo. Paulo, de uma forma simples
e objetiva, respondeu com uma carta, de onde retiramos o trecho
abaixo
É bom começar chamando a atenção para o poder que têm as
perguntas de provocar a gente. Veja bem, agora mesmo, ao
me preparar para iniciar a minha resposta à pergunta, me vejo
obrigado a pensar, a ficar olhando o papel em que repeti sua
pergunta: “Para que alfabetizar?”
Ao ficar assim aparentemente parado, pensando, percebo que,
para responder à sua pergunta, devo entender a relação que
ela tem com outras perguntas que, embora não tenham sido
pronunciadas, se acham presentes. Assim, o para que
alfabetizar? Tem que ver com o que é alfabetizar? Como
alfabetizar? Quando? Por que? etc.
Para que? É a pergunta que a gente faz quando a curiosidade
da gente se assanha para saber a finalidade da ação ou da
coisa de que a gente está falando.
A gente pergunta o que é? Quando quer saber ou compreender
o que é que faz que pedra seja pedra e não pau; que flor seja
flor e não passarinho.
Como? É a pergunta que a gente faz pra saber os caminhos
que a gente percorre, os métodos que a gente usa pra obter o
que se pretende.
Por que? é a indagação pela qual a gente procura a razão de
ser, a causa das coisas, e quando? Tem que ver com o tempo
delas.
É interessante observar como há uma certa solidariedade entre
as diferentes perguntas, não importa qual seja aquela pela
qual começamos a indagar da coisa ou da ação.
Agora, quando você me pergunta para que alfabetizar?, me
sinto levado a dizer algo sobre o que é alfabetizar. Para fazer
isso vou tentar um caminho simples e muito concreto. Veja
bem, neste momento, tenho algo na minha mão. Pego a coisa
que tenho nos dedos, apalpo-a, sinto-a. Ganho a sensibilidade
da coisa, percebo-a, falo o nome da coisa e escrevo o nome
da coisa. Assim sinto a caneta nos dedos, percebo a caneta,
pronuncio o nome caneta e depois escrevo ca – ne – ta.
O mesmo, quase, se dá quando falamos palavras abstratas, só
que não pegamos a significação delas. Eu não pego a saudade
do Recife com as mãos. Eu sinto a saudade inteira no meu
corpo. Eu falo e escrevo saudade.
Veja, a pessoa chamada analfabeta, que não sabe ler nem
escrever, sente como nós, a coisa, pegando-a ou não, percebe
e fala, só não escreve, portanto não lê também. Alfabetizar,
num sentido bem direto, é possibilitar que as pessoas a quem
falta o domínio desta operação criem este domínio. Por mais
importante — e é muito importante — o papel da educadora
ou do educador na montagem deste domínio, o educador não
pode fazer isto em lugar do alfabetizando. A alfabetização é
um ato de criação de que fazem parte o alfabetizando e o
educador. O educador é fundamental. Ele tem mesmo que
ensinar desde porém que jamais anule o esforço criador do
alfabetizando.
É interessante observar como não podemos falar de
analfabetismo em culturas que desconhecem o alfabeto, as
letras. Numa cultura iletrada não há analfabetos. O “analfabeto
— e isto me foi dito há mais de vinte anos por um culto
alfabetizando, num Círculo de Cultura – é a pessoa que,
vivendo numa cultura que conhece as letras, não sabe ler nem
escrever.”
Para que alfabetizar? Numa primeira aproximação ao
problema e seguindo aquele alfabetizando nordestino a quem
me referi acima, poderia dizer a você: para que as pessoas
que vivem numa cultura que conhece as letras não continuem
roubadas de um direito — o de somar à “leitura” que já fazem
do mundo a leitura da palavra, que ainda não fazem.
Nesta carta, Paulo faz referência a importantes pontos da
forma como compreende a alfabetização:
! O ato de aprender a ler e a escrever começa a partir de uma
compreensão abrangente do ato de ler o mundo, coisa que
os seres humanos fazem antes de ler a palavra.
! Teria sido impossível escrever se antes não tivesse havido a
fala. Não é possível ler sem falar, do ponto de vista de uma
compreensão filosófica, global do ato de ler.
!A leitura da palavra foi precedida de um passado sem palavra
oral e um passado depois da oralidade.
! A leitura da palavra escrita implica a fala, implica a oralidade.
A capacidade de falar, por sua vez, demandou antes o
transformar a realidade. É isso que eu chamo de ‘escrever o
mundo’.
!Ninguém é analfabeto porque quer, mas como conseqüência
das condições de onde vive. Há casos, onde “o analfabeto é
o homem ou mulher que não necessita ler e escrever”, em
outros é a mulher ou o homem a quem foi negado o direito de
ler e escrever.
!Enquanto ato de conhecimento e ato criador, o processo da
alfabetização tem, no alfabetizando, o seu sujeito.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

HINO À CARIDADE

(I Cor 13)

Ainda que eu fale a língua dos homens

Ainda que eu fale a língua dos anjos,

Serei como bronze que soa em vão

Se eu não tenho amor, amor aos irmãos.

O amor é paciente e tudo crê.

É compassivo, não tem rancor.

Não se alegra com a injustiça e com o mal

Tudo suporta, é dom total.

Ainda que eu tenha vigor de profeta

E o dom da ciência, firmeza na fé.

Ainda que eu possa transpor as montanhas,

Se eu não tenho amor, de nada adianta.

Ainda que eu doe meus bens para os pobres,

que eu deixe meu corpo em chamas arder.

Será como um sonho, será tudo em vão.

Se eu não tenho amor, amor aos irmãos.

Interpretação musical: Maria Inez

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

SÓ DEPENDE DE NÓS...


"Hoje levantei cedo pensando no que tenho a fazer antes que o relógio marque meia noite. É minha função escolher que tipo de dia vou ter hoje.Posso reclamar porque está chovendo ou agradecer às águas por lavarem apoluição. Posso ficar triste por não ter dinheiro ou me sentir encorajado para administrar minhas finanças, evitando odesperdício. Posso reclamar sobre minha saúde ou dar graças por estar vivo.Posso me queixar dos meus pais por não terem me dado tudo o que eu queria ou posso ser grato por ter nascido. Posso reclamar por ter que ir trabalhar ou agradecer por ter trabalho. Posso sentir tédio com o trabalho doméstico ou agradecer a Deus por ter um teto para morar.possibilidade de fazer novas amizades. Se as coisas não saíram como planejei posso ficar feliz por ter hoje para recomeçar.
O dia está na minha frente esperando para ser o que eu quiser. E aqui estou eu, o escultor que pode dar forma. Tudo depende só de mim."
(Charles Chaplin)

AMIZADE...


"Qualquer hora dessas, o sol vai deixar de brilhar... Mas isso não importa, a lua brilhará dia e noite... Qualquer dia desses, as estrelas vão cair... Mas ninguém precisa ter medo, o oceano as receberá em suas águas... Algumas coisas costumam acontecer na hora errada, outras coisas acontecem na hora exata. A sublimidade do ser humano, é capaz de tornar as coisas perfeitas... A paz interior de cada um e o desejo de busca, influenciam o encontro... Mesmo que o encontro seja virtual, ou imaginário. (Seria a mesma coisa?) Sei que pode se tornar real, por causa da sublimidade e da paz interior, e da busca de felicidade que cada ser tem dentro de si. Busco sem medo... Encontro com medo... Sinto, com desejo... Às vezes correr o risco de não encontrar, é melhor do que nem tentar procurar. Busquei e te encontrei! Ou foi você que me encontrou??? Bom, o que importa é que o destino é amigo dos homens, e os homens são amigos entre si... Mesmo que o destino se torne nosso inimigo, nós jamais poderemos fazer o mesmo, devemos continuar nos amando... Os amigos se amam. Os verdadeiros... As estrelas nem vão mais cair, nem o céu deixará de ter o brilho do sol, nem as coisas erradas irão acontecer. Por que o amor e a amizade são maiores, e dominam o coração e o espaço. A busca foi verdadeira e o verdadeiro sentido dessa busca..."

Desconheço o autor.

FÁCIL E DIFÍCIL



Carlos Drummond de Adrade
Falar é completamente fácil, quando se tem palavras em mente que se expresse sua opinião...Difícil é expressar por gestos e atitudes, o que realmente queremos dizer.
Fácil é julgar pessoas que estão sendo expostas pelas circunstâncias...Difícil é encontrar e refletir sobre os seus próprios erros.
Fácil é fazer companhia a alguém, dizer o que ela deseja ouvir...Difícil é ser amigo para todas as horas e dizer a verdade quando for preciso.
Fácil é analisar a situação alheia e poder aconselhar sobre a mesma... Difícil é vivenciar esta situação e saber o que fazer.
Fácil é demonstrar raiva e impaciência quando algo o deixa irritado...Difícil é expressar o seu amor a alguém que realmente te conhece.
Fácil é viver sem ter que se preocupar com o amanhã...Difícil é questionar e tentar melhorar suas atitudes impulsivas e as vezes impetuosas, a cada dia que passa.
Fácil é mentir aos quatro ventos o que tentamos camuflar...Difícil é mentir para o nosso coração.
Fácil é ver o que queremos enxergar...Difícil é saber que nos iludimos com o que achávamos ter visto.
Fácil é ditar regras e,Difícil é segui-las...
(*) Título original: Reverência ao destino (Carlos Drummond de Andrade)

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

CARTA AOS PAIS


- Rubem Alves
Também sou pai e portanto compreendo. Vocês querem o melhor para o filho, para a filha. A melhor escola, os melhores professores, os melhores colegas.
Vocês querem que filhos e filhas fiquem bem preparados para a vida. A vida é dura e só sobrevivem os mais aptos. É preciso ter uma boa educação.Compreendo, portanto, que vocês tenham torcido o nariz ao saber que a escola ia adotar uma política estranha: colocar crianças deficientes nas mesmas classes das crianças normais. Os seus narizes torcidos disseram o seguinte:Não gostamos. Não deveria ser assim! O problema começa com o fato de as crianças deficientes serem fisicamente diferentes das outras, chegando mesmo, por vezes, a ter uma aparência esquisita. E isso cria, de saída, um mal-estar... digamos... estético. Vê-las não éuma experiência agradável. É preciso se acostumar... Para complicar há o fato de as crianças deficientes serem mais lerdas: elas aprendem devagar. As professoras vão ser forçadas a diminuir o ritmo do programa para que elas não fiquem para trás. E isso,evidentemente, trará prejuízos para nossos filhos e filhas, normais, bonitos, inteligentes. É preciso ser realista; a escola é uma maratona para se passar no vestibular. É para isso que elas existem. Quem fica para trás não entra... O certo mesmo seria ter escolasespecializadas, separadas, onde os deficientes aprenderiam o que podem aprender, sem atrapalhar os outros.Se é assim que vocês pensam eu lhes digo: Tratem de mudar sua maneira de pensar rapidamente porque, caso contrário, vocês irão colher frutos muito amargos no futuro. Porque, quer vocês queiram quer não, o tempo se encarregará de fazê-los deficientes.É possível que na sua casa, num lugar de destaque, em meio às peças de decoração, esteja um exemplar das Escrituras Sagradas. Via de regra a Bíblia está lá por superstição. As pessoas acreditam que Deus vai proteger. Se assim fosse, melhor que seguro de vida serialevar uma Bíblia sempre no bolso. Não sei se vocês a lêem. Deveriam. E sugiro um poema sombrio, triste e verdadeiro do livro de Eclesiastes. O autor, já velho, aconselha os moços a pensar na velhice. Lembra-te do Criador na tua mocidade, antes que cheguem osdias das dores e se aproximem os anos dos quais dirás:
"Não tenho mais alegrias..." Antes que se escureça a luz do sol, da lua e das estrelas e voltem as nuvens depois da chuva... Antes que os guardas da casa comecem a tremer e os homens fortes a ficar curvados... Antes que as mós sejam poucas e pararem de moer... Antes que a escuridão envolva os que olham pelas janelas... Antes que as pessoasse levantem com o canto dos pássaros... Antes que cessem todas as canções... Então se terá medo das alturas e se terá medo de andar nos caminhos planos... Quando a amendoeira florescer com suas flores brancas, quando um simples gafanhoto ficar pesado e as alcaparras não tiverem mais gosto... Antes que se rompa o fio de prata e se despedace a taça de ouro e se quebre o cântaro junto à fonte e se parta a roldana do poço e o pó volte à terra... Brumas, brumas, tudo são brumas... (Eclesiastes 12: 1-8)Os semitas eram poetas. Escreviam por meio de metáforas. Metáfora é uma palavra que sugere uma outra. Tudo o que está escrito nesse poema se refere a você, a mim, a todos. Antes que se escureça a luz do sol... Sim, chegará o momento em que os seus olhos nãoverão como viam na mocidade. Os seus braços ficarão fracos e tremerão no seu corpo curvo. As mós - seus dentes - não mais moerão por serem poucos. E a cama pela manhã, tão gostosa no tempo da mocidade, ficará incômoda. Você se levantará tão cedo quanto ospássaros e terá medo de andar por não ver direito o caminho. É preciso ser prudente porque os velhos caem com facilidade por causa de suas pernas bambas e podem quebrar a cabeça do fêmur. Pode até ser que você venha a precisar de uma bengala. Por acaso os moinhos pararão de moer? Não, os moinhos não param de moer. Mas você parará de ouvir. Você está surdo. Seu mundo ficará cada vez mais silencioso. E conversar ficará penoso. Você verá que todos estão rindo. Alguém disse uma coisa engraçada. Mas você não ouviu. Você rirá, não por ter achado graça, mas para que os outros não percebam que você está surdo.
Você imaginou uma velhice gostosa. E até comprou um sítio com piscina e árvores. Ah! Que coisa boa, os netos todos reunidos no "Sítio do Vovô", nos fins de semana! Esqueça. Os interesses dos netos são outros. Eles não gostam de conviver com deficientes. Eles não aprenderam a conviver com deficientes. Poderiam ter aprendido na escola mas não aprenderam porque houve pais que protestaram contra a presença dos deficientes.A primeira tarefa da educação é ensinar as crianças a serem elas mesmas. Isso é extremamente difícil. Fernando Pessoa diz: Sou o intervalo entre o meu desejo e aquilo que os desejos dos outros fizeram de mim. Freqüentemente as escolas esmagam os desejos dascrianças com os desejos dos outros que lhes são impostos. O programa da escola, aquela série de saberes que as professoras tentam ensinar, representa os desejos de um outro, que não a criança. Talvez um burocrata que pouco entende dos desejos das crianças. Épreciso que as escolas ensinem as crianças a tomar consciência dos seus sonhos!A segunda tarefa da educação é ensinar a conviver. A vida é convivência com uma fantástica variedade de seres, seres humanos, velhos, adultos, crianças, das mais variadas raças, das mais variadas culturas, das mais variadas línguas, animais, plantas, estrelas... Conviver é viver bem em meio a essa diversidade. E parte dessa diversidade são as pessoas portadores de alguma deficiência ou diferença. Elas fazem parte do nosso mundo. Elas têm o direito de estar aqui. Elas têm direito à felicidade. Sugiro que vocês leiam umlivrinho que escrevi para crianças, faz muito tempo: Como nasceu a alegria. É sobre uma flor num jardim de flores maravilhosas que, ao desabrochar, teve uma de suas pétalas cortada por um espinho. Se o seu filho ou sua filha não aprender a conviver com a diferença, com os portadores de deficiência, e a ser seus companheiros e amigos, garanto-lhes: eles serão pessoas empobrecidas e vazias de sentimentos nobres. Assim, de que vale passar no vestibular?Li, numa cartilha de curso primário, a seguinte estória: Viviam juntos o pai, a mãe, um filho de 5 anos, e o avô, velhinho, vista curta, mãos trêmulas. Às refeições, por causa de suas mãos fracas e trêmulas, ele começou a deixar cair peças de porcelana em que a comida era servida. A mãe ficou muito aborrecida com isso, porque ela gostava muito do seu jogo de porcelana. Assim, discretamente, disse ao marido: Seu pai não está mais em condições de usar pratos de porcelana. Veja quantos ele já quebrou! Isso precisa parar... O marido, triste com a condição do seu pai mas, ao mesmo tempo, sem desejar contrariar a mulher, resolveu tomar uma providência que resolveria a situação. Foi a uma feira de artesanato e comprou uma gamela de madeira e talheres de bambu para substituir a porcelana.Na primeira refeição em que o avô comeu na gamela de madeira com garfo e colher da bambu o netinho estranhou. O pai explicou e o menino se calou.
A partir desse dia ele começou a manifestar um interesse por artesanato que não tinha antes. Passava o dia tentando fazer um buraco no meio de uma peça de madeira com um martelo e um formão. O pai, entusiasmado com a revelação da vocação artística do filho, lhe perguntou: O que é que você está fazendo, filhinho? O menino, sem tirar os olhos da madeira, respondeu: Estou fazendo uma gamela para quando você ficar velho...Pois é isso que pode acontecer: se os seus filhos não aprenderem a conviver numa boa com crianças e adolescentes portadores de deficiências eles não saberão conviver com vocês quando vocês ficarem deficientes. Para poupar trabalho ao seu filho ou filha sugiro que visitem uma feira de artesanato. Lá encontrarão maravilhosas peças de madeira...
retirado do site :
http://www2.uol.com.br/aprendiz/n_colunas/r_alves/id120203.htm


__._,_.___ " Todas as cores do arco-íris superpostas formam o branco: só a integração de todos com suas diferenças é que pode criar harmonia" Rose Marie Muraro"


Educautismo: por um mundo onde todas as pessoas possam ser igualmente especiais." ( )Jaqueline Batista

sábado, 2 de fevereiro de 2008

ENTENDENDO AS COMPETÊNCIAS.






Nilma Guimarães


O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) é um poderoso instrumento de auto-avaliação - desde que sejam devidamente compreendidas as habilidades e competências por ele definidas como necessárias àqueles que freqüentaram a escola por 11 anos ou mais. O Enem permite aos que concluíram ou estão para concluir o ensino médio identificar aquelas competências que já dominam e aquelas que ainda precisam desenvolver melhor.Assim, o intuito aqui é auxiliá-lo nessa tarefa muitas vezes complicada de entender, mais especificamente, ao que se refere a prova de redação do Enem, a fim de melhorar ainda mais seu desempenho.A importância da prova de redação encontra-se no fato de ela corresponder à metade do valor total da média final do exame e de não somente a escola, mas também a sociedade, de modo geral, exigir sujeitos cada vez mais capazes de produzir textos escritos de modo objetivo e coerente.Situação-problemaO Enem exige que o candidato redija um texto do tipo dissertativo-argumentativo, cujo tema se relacione a questões sociais, políticas, culturais e/ou científicas, a partir de uma situação-problema. É automaticamente desconsiderada para correção pela banca avaliadora a redação que se afastar do tema proposto ou for de encontro aos direitos humanos e à cidadania.São cinco as competências avaliadas na prova de redação, conforme se verifica a seguir. Para você compreender melhor qual o significado dessa matriz de competências, procuramos explicar, de maneira mais clara, cada um dos itens que a compõem. São elas:
1. Demonstrar domínio da norma culta da língua escritaVocê não precisa escrever como Machado de Assis ou Gilberto Dimenstein! Porém, é necessário demonstrar um conhecimento mínimo de regras básicas de escrita na nossa língua, supostamente aprendidas em 11 anos ou mais de escolaridade.Por exemplo, atentar para a pontuação é essencial, pois uma vírgula ou ponto final no lugar errado pode comprometer o sentido do seu texto e dificultar a compreensão por parte do leitor (no caso, o avaliador da banca de correção). Além do sentido, é importante lembrar que o respeito às normas gramáticas, ainda que não seja o requisito mais importante na construção do sentido do texto, demonstra algum grau de conhecimento a respeito da língua e isso pode contar a seu favor.
2. Compreender a proposta de redação e aplicar conceitos das várias áreas de conhecimento para desenvolver o tema, dentro dos limites estruturais do texto dissertativo-argumentativoA compreensão da proposta de redação já é o primeiro passo para que você possa se sair bem na prova, uma vez que o desenvolvimento do tema apresentado torna-se muito mais tranqüilo e não há o risco de seu texto ser desconsiderado pela banca de correção. Além de disso é preciso lembrar de que se trata de um texto em prosa (ou seja, você não pode escrever um poema), do tipo dissertativo-argumentativo, o que significa adotar um posicionamento crítico e reflexivo diante de determinada questão ou expressar sua opinião de modo claro e coerente.Para isso, é essencial valer-se de seu conhecimento de mundo, uma vez que se torna muito mais difícil elaborar um texto sobre algo que você nunca ouviu falar. Daí a importância da leitura de textos diversificados, sobretudo os jornalísticos, para que você tenha o que dizer em sua redação.
3. Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vistaNão basta apresentar dados e informações ou mesmo expressar sua opinião ou expor argumentos se você não for capaz de selecionar, dentre estes, aqueles que de fato apresentam pertinência com o tema proposto.Ademais, além de uma seleção criteriosa de dados, informações e argumentos, é primordial saber organizar as idéias a partir deles e apresentar a sua interpretação para a situação-problema em questão, estabelecendo relações lógicas e coerentes e fazendo a sua leitura da realidade, a fim de demonstrar seu ponto de vista em relação ao tema proposto.
4. Demonstrar conhecimento dos mecanismos lingüísticos necessários para a construção da argumentaçãoAlém da seleção adequada dos argumentos, conforme ressaltado no item anterior, faz-se necessário organizá-los no texto de modo lógico e coerente. Para isso, é fundamental utilizar os chamados elementos de coesão textual e/ou os organizadores argumentativos, como, por exemplo, advérbios, locuções adverbiais e conjunções, estabelecendo relações adequadas entre termos e também entre os parágrafos, sobretudo no desenvolvimento do texto, a fim de que o sentido seja construído de maneira clara e objetiva. É preciso, ainda, saber utilizar um repertório lingüístico ou vocabular adequado ao tema e aos objetivos do texto. Isso não significa, em hipótese alguma, valer-se, de maneira desenfreada, de termos e/ou expressões considerados mais rebuscados ou eruditos a fim de impressionar a banca de correção.Lembre-se de que os membros dessa banca são professores de português e já estão bastante acostumados às táticas e "truques" dos candidatos. De nada adianta valer-se desse tipo de artifício para impressioná-los. Assim, é fácil perceber que o vocabulário escolhido deve ser simples e direto e atender aos objetivos do texto.
5. Elaborar proposta de solução para o problema abordado, mostrando respeito aos valores humanos e considerando a diversidade socioculturalPartindo-se de uma proposta de redação que apresenta uma situação-problema, é possível concluir que toda a construção da argumentação deve ter como objetivo a apresentação de possíveis soluções para a questão levantada. A solução, ou soluções, porém, deve resultar de uma relação lógica e coerente com os argumentos, opiniões, informações e dados apresentados no desenvolvimento.Ademais, embora seja muito difícil que isso ocorra - até porque muitas formas de preconceitos e/ou desrespeito aos valores humanos recebem hoje algum tipo de sanção legal -, é aconselhável cautela diante de seu posicionamento a respeito de determinadas questões consideradas o "tendão de Aquiles" das sociedades contemporâneas. Por exemplo, o preconceito racial, social e/ou religioso, a prática de tortura ou a apologia à violência de qualquer espécie.A razão é óbvia: idéias e/ou concepções retrógradas e pouco ortodoxas acerca desses temas vão contra as muitas conquistas, sociais, políticas e culturais sedimentadas depois de décadas ou até mesmo séculos de luta por justiça social e respeito à integridade humana.Esperamos que esse breve esclarecimento sobre as competências avaliadas na prova de redação do Enem lhe permita, a partir de agora, perceber melhor aquelas cujo desempenho já se encontra satisfatório ou muito bom e aquelas que ainda merecem mais atenção e mais dedicação da sua parte.
* Nilma Guimarães é formada em letras clássicas e vernáculas pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP. Cursa o mestrado em educação pela Faculdade de Educação da USP, na área de metodologia do ensino de língua portuguesa.

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