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Planeta Sustentável

terça-feira, 26 de agosto de 2014

PRÁTICA PEDAGÓGICA

A AVALIAÇÃO DIAGNÓSTICA E A HISTÓRIA DE PATRÍCIA


                                                      Maria Inez Rodrigues Pereira


A cena da aluna Patrícia recebendo a notícia de sua aprovação no final daquele ano letivo não me sai mais da memória. Por ser uma adolescente que apresentava muitas dificuldades, inclusive de socialização, foi por diversas vezes classificada como “sem solução”, por alguns professores. Durante os Conselhos de Classe diziam que não adiantava insistir com ela. Que além de apresentar-se nas aulas sem os cuidados básicos de higiene com o seu corpo, cadernos malcuidados e sem os conteúdos em dia, questionavam os professores, de que forma ela iria  estudar e aprender como os outros alunos?
Passei, então, a estudar seu comportamento durante as aulas e até mesmo no recreio, e percebi que o que mais a incomodava era a indiferença e o desprezo dos colegas para com ela, bem como seu sentimento de inferioridade.
Em uma das reuniões  de pais conversei com a mãe de Patrícia e descobri que o que ela mais ouvia em sua casa era, que por ser pobre, não poderia chegar a lugar algum. Fiquei preocupada com o que tinha ouvido e  resolvi conversar com a aluna. Nessa conversa expliquei-lhe que  se tratava de uma adolescente muito linda e que estava apenas precisando de alguns cuidados com a aparência. Jamais esquecerei o sorriso que esboçou quando a chamei de linda.
Depois dessa conversa com a aluna,  resolvi conversar com os professores dela e pedi para eles que a colocassem na carteira da frente, da fila onde ela se sentava. Pedi também que se aproximassem um pouco mais dela, pois estava com muita baixa estima, por isso precisávamos ajuda-la a superar esse sentimento para que ela despertasse o interesse pelos estudos.
Os professores, ao analisarem seu histórico de vida, mudaram a maneira de trata-la, bem como encaminharam Patrícia para a Sala de Recurso por seis meses, para que ela  pudesse superar  as dificuldades de leitura e escrita que apresentava.  Ficaram  surpresos com os avanços de Patrícia naquele ano e nos outros que se seguiram. Hoje, patrícia está terminando o ensino médio e nunca mais precisou de Sala de Recursos.
A história de Patrícia nos mostra que toda criança ou adolescente, se tratado com respeito e carinho, pode retribuir com mais respeito, carinho e dedicação em suas atividades escolares. Neste caso em especial, os professores ao mudarem a forma de trabalhar com essa aluna, possibilitando as oportunidades certas para que ela produzisse o conhecimento adquirido, obtiveram muitas vitórias nos resultados das avaliações dessa aluna. Isso os levou também a enxergar com mais carinho e respeito os outros alunos que apresentavam dificuldades de aprendizagem.
Avaliar nem sempre é tarefa fácil, porém neste caso, em que a situação social,  cultural e emocional impedia Patrícia de avançar nos estudos, camuflava seu potencial.
Por mais que pensemos estar preparados para avaliar um aluno, ou vários alunos, muitas vezes nos perdemos  em erros de preconceito. A posição de um professor no exercício de sua docência, não pode ser o de classificar e excluir quando avalia seus educandos, mas deve ser o de conduzi-los ao raciocínio positivo da avaliação, orientando esse aluno a descobrir onde errou para poder corrigir seu erro e mostrar o que entendeu.
Nesse contexto, uma avaliação para ser positiva requer preparo, fundamentação, planejamento, organização dos objetivos que pretendemos atingir e, principalmente, um olhar especial do professor para com a sua turma. A necessidade de se reconhecer as diferenças na capacidade de aprender dos alunos é uma obrigação do professor enquanto orientador e avaliador do processo de ensino e aprendizagem.
Como estaria Patrícia se não tivéssemos conseguido enxergar suas dificuldades e o que precisávamos mudar em nossa metodologia de ensino para que ela pudesse aprender, atingindo os objetivos em cada disciplina? Certamente, seria mais uma reprova em sua vida escolar naquele ano e, provavelmente, teria abandonado a escola.

Assim como Patrícia, existem muitos outros alunos que estão dispostos a aprender, mas que precisam ser ajudados a superar seus medos, dificuldades e anseios. Por isso, a avaliação escolar deve levar em conta os diversos fatores que podem atrapalhar o desempenho do aluno na hora de realizar uma prova ou atividade avaliativa.

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