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Planeta Sustentável

terça-feira, 21 de julho de 2026

 




A IA: expressão suprema do paradigma da modernidade


       Leonardo Boff


O tom geral da encíclica Magnifica Humanitas  do Papa Leão XIV é de modo geral positivo. Chega até a ver  a IA como um instrumento a serviço do ato criador de Deus. Mas dá-se conta dos riscos e ameaças que ela pode representar. Ao largo e ao longo de toda a sua exposição lança a pergunta fundamental: que imagem de ser humano ela pressupõe e alimenta? Que tipo de sociedade quer construir? Não se trata apenas de verificar se seus efeitos são benéficos ou maléficos. Trata-se de identificar e submeter à crítica seus pressupostos antropológicos e sociais.Se melhoram ou  não a condição humana e se introduzam uma maior justiça social a nível planetário.

 1.A centralidade da razão como vontade de poder e de controle

Eu diria que a IA comparece como a expressão mais alta do paradigma da modernidade. Seus pais fundadores, Descartes, Newton, Copérnico, Francis Bacon e outros colocaram como valor axial a razão. Mas não qualquer razão. A razão a serviço do poder como dominação de pessoas, classes, países (colonialismo) e principamente da natureza. Famosa é a frase atribuída a Francisci Bacon, o fundador do método científico: “devemos torturar a natureza como o esbirro faz com sua vítima, até arrancar-lhe todos os segredos”.

A razão foi logo traduzida numa prática e assim deu origem à tecno-ciência que domina a nossa história até os dias de hoje, encontrando seu point d’honneur na IA.

Esta centralidade da razão (ratio e logos), se serviu especialmente da física e da matemática, categorias válidas, mas incapazes de captar adequadamente a natureza dos seres vivos. Esse paradigma dificilmente integrou outras dimensões humanas, como a do coração (éros e péthos) que representam o mundo das excelências, do amor, da amizade, da compaixão, da ética e da espiritualidade. 

Levada a seu extremo, criou seres humanos com uma espécie de lobotomia: tornaram-se insensíveis aos valores intangiveis, especialmente, a compaixão para com os que sofrem, a observância dos direito humanos, o respeito e o cuidado para com a natureza. 

Para esses pais fundadores, o mundo natural não possui sentido em si a não ser quando posto a serviço dos seres humanos. Da mesma forma a Terra que, na tradição dos povos, sempre foi tida como a Grande Mãe, a geradora de toda a vida, a Pachamama dos andinos e a Gaia dos modernos. Tais pensadores a consideraram apenas como uma res extensa, uma realidade estensa e um reservatório de recursos, do qual se pode criar e acumular riqueza .

Esta cosmologia subjaz à IA. Ela é a razão desencarnada e desgarrada do corpo, por isso, artificial. Também dos sentimentos reais e não apenas virtuais, das situações existencias da condição humana como a alegria, a tristeza, a decepção, o sofrimento e o amor que exige presença real, a carícia e o afeto sensível e não apenas virtual. Nisso reside a limitação de todas as plataformas da IA. Elas podem falar do amor, suscitar no usuário, sentimentos amorosos, mas não é ela que lhe enxuga as lágrimas, que garante fidelidade e lealdade do amor real.

Há vários tipos de IA, cada qual a serviço de certos propósitos. O Papa se refere às ameaças que elas podem representar,todas praticamente de domínio privado, ao menos no Ocidente. Neurólogos como Miguel Nicolelis tem observado que neurônios celebrais estão sendo negativamente afetados pelo excesso de exposição à ondas eletromagnéticas. Steven D.Shaw cunhou uma expressão assumida pela comunidade científica:a rendição cognitiva. 

Essa rendição significa que mais e mais pessoas renunciam a pensar por elas mesmas e delegam à IA o pensamento pessoal  e se fazem seguidores de  seus comandos. Assim não o faz a inteligência natural que é reflexa, inclui a dúvida, a incerteza, a busca e o real que faz resistência e está continuamente mudando.

Políticamente esta delegação pode permtir que os extremismos tomem conta da sociedade, chegar até a formas de barbárie.

 2. Os riscos da IA autônoma

Extremo risco representa a IA Autônoma com seus bilhões e bilhões de algoritmos. Foi delegado a ela decisões que escapam ao controle humano. Podemos delegar nosso destino sem renunciarmos à nossa liberdade de fazermos o nosso próprio caminho? Essa é questão filosófica e antropológica da maior gravidade. Os humanos acabam renunciando ao que é intrínsico à sua humanidade: a liberdade de fazer a sua própria história.

Ela pode internamente tomar decisões que prejudicam porções da humanidade. No seu limite, pode considerar que a inteira humanidade ou grande parte dela representam um obstáculo a sua própria reprodução e desenvolvimento e decida eliminá-la. Uma vez construída, dificilmente pode ser posta sob algum controle. Ela capta esse intento e se antecipa montando  as suas defesas.

Especialmente a IA Palantir cabe aqui ser citada e também denunciada. No lugar da Anthropos cujo fundador foi Dario Amodei,uma das maiores plataformas, possuía alguns parâmetros éticos a ponto de renunciar às duas solicitações feitas pela Administração de Trump que a  havia contratado: de controlar o mais possível a população norte-americana e fazer uso bélico dela. Ela negou-se prontamente a esse uso. Em seu lugar entrou imediatamente a Palantir, a mais perversa de todas, pois sua meta não é tanto econômica nas de poder controlar o mais possível inteiras populações e permitir seu uso para fins bélicos. Isso foi feito com precisão na Faixa de Gaza por parte do exército israelense e na guerra dos USA contra o Irã.

Por este simples exemplo, podemos nos dar conta a que pode levar a exacerbação da razão humana, separada da totalidade complexa e multifacetada do  humano, a ponto de pôr a civilização e a vida em risco.

Mas cremos ainda na razoabilidade da razão, submetida a uma instância mais alta, à sabedoria existencial, que poderá impedir que a razão seja totalmente irracional ao construir um meio de autodestruição. A vida se mostrou sempre mais forte contra todos os ataques que no processo evolucionário e histórico se fizeram contra ela.Por isso a esperança nunca pode ser abandonada. A alternativa a ela seia o suicídio, que jamais teria a última palavra. Vale o esperançar de Paulo Freire, vale dizer, criar as condições e meios para a esperança se tornar viável e vencedora. Todas as plataformas de IA estariam  a serviço da vida e de sua expansão.

Leonardo Boff é ecoteólogo e filósofo  e escreve para a revista LIBERTA do ICL (https://www.revistaliberta.com.br)  por muitos anos professor de teologia sistemática e de filosofia da ética e da religião e membro da Iniciativa Internacional da Carta da Terra e escritor (https://www.leonardoboff.org).

quinta-feira, 2 de julho de 2026

Colocaram cacos de vidro no copo de água da professora.

 

Colocaram cacos de vidro no copo de água da professora.

Esse fato, por si só, já exige reflexão. Não se trata apenas de um episódio isolado, mas de um sintoma de algo mais profundo. A pergunta que surge não é se a educação falhou ou se a sala de aula deixou de ser um ambiente seguro. A questão central é: como chegamos ao ponto em que um estudante considera aceitável colocar a vida de um professor em risco?

A resposta não está apenas na escola. Está, sobretudo, na formação do caráter. Quando uma criança ou adolescente age com violência, sem empatia ou solidariedade, não está apenas cometendo um ato impensado; está revelando o tipo de estrutura moral que foi construída ao longo de sua vida. E essa construção é responsabilidade primária da família. A escola pode orientar, corrigir e educar, mas não substitui o papel dos pais na formação ética.

Além disso, é preciso considerar que certos comportamentos ultrapassam a mera indisciplina. A psicopatia, por exemplo, é um transtorno de personalidade caracterizado pela incapacidade de sentir empatia, remorso ou culpa, e pela tendência à manipulação. Quando um adolescente planeja um ato violento, envolve colegas e se exibe diante da turma, não estamos diante de uma “brincadeira”. Estamos diante de um padrão de comportamento que exige atenção imediata. Ignorar sinais anteriores — muitas vezes tratados pela família como travessuras — apenas contribui para a escalada da violência.

O relato da professora Michele Ramos reforça essa gravidade: os alunos colocaram o vidro no copo e ainda se vangloriaram do ato. Outros estudantes presenciaram a cena e não alertaram a professora. Isso revela não apenas a ação de um agressor, mas a omissão de testemunhas, o que amplia o problema para uma dimensão coletiva. A violência, nesse caso, não é apenas o ato em si, mas o ambiente que o tolera.

Mesmo que a professora não tenha ingerido a água, o ato é gravíssimo. Ele evidencia a crescente falta de respeito com o profissional da educação e expõe uma realidade que se torna cada vez mais comum: ser professor no Brasil virou profissão de risco. O aumento anual do adoecimento docente não é coincidência; é consequência direta da violência física, verbal e psicológica presente no cotidiano escolar. E isso tem impacto direto na atratividade da carreira. Cada episódio como o da professora Michele afasta novos profissionais e desestimula os que já estão na sala de aula.

Por isso, é fundamental que casos de violência contra professores sejam tratados com rigor. A responsabilização deve alcançar tanto os alunos envolvidos quanto seus responsáveis. Sem consequências claras, a mensagem transmitida é a de que a violência é tolerável — e isso é inaceitável.

Nossa solidariedade à professora Michele.


Maria Inez rodrigues Pereira


terça-feira, 23 de junho de 2026

 


NOTA PÚBLICA DO FÓRUM NACIONAL DE EDUCAÇÃO EM DEFESA DA ESCOLA, DO 



DIREITO À EDUCAÇÃO E CONTRA A REGULAMENTAÇÃO DA

EDUCAÇÃO DOMICILIAR


O Fórum Nacional de Educação — FNE, instância de interlocução entre o Estado brasileiro e a sociedade civil organizada no campo educacional, composta por entidades, instituições, fóruns, movimentos e representações comprometidas com a educação brasileira democrática, inclusiva, equitativa e socialmente referenciada, vem a público  manifestar sua posição contrária à regulamentação da educação domiciliar no Brasil, também denominada homeschooling.

A educação escolar é direito subjetivo da criança e do adolescente, não prerrogativa

patrimonial dos pais ou responsáveis. A criança e o(a) adolescente são sujeitos de direitos em condição peculiar de desenvolvimento, protegidos pelo princípio constitucional da prioridade absoluta, nos termos do artigo 227 da Constituição Federal e do Estatuto da Criança e do Adolescente. 

A obrigatoriedade de matrícula e frequência escolar, prevista na legislação educacional brasileira, constitui mecanismo civilizatório de proteção, inclusão, socialização, aprendizagem, convivência democrática e acesso aos conhecimentos científicos, artísticos, filosóficos, tecnológicos e culturais historicamente produzidos pela humanidade.

O FNE manifesta preocupação especial com proposições que, direta ou indiretamente, buscam alterar a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, o Estatuto da Criança e do Adolescente e o Código Penal para admitir a educação domiciliar ou afastar a caracterização de abandono intelectual nos casos de ausência de matrícula escolar. 

Tais iniciativas produzem insegurança jurídica, fragilizam a proteção de crianças e adolescentes e invertem a lógica constitucional: em vez de fortalecer a escola como instituição pública de formação humana, deslocam ao espaço privado uma responsabilidade que deve ser assegurada sob acompanhamento, regulação e garantia do Estado.

A regulamentação do homeschooling, tende a aprofundar desigualdades e apesar de ser apresentado como liberdade de escolha, em sociedades profundamente desiguais, beneficia grupos com maior capital econômico, cultural, tempo disponível, acesso a materiais, redes privadas de apoio e condições domiciliares adequadas, enquanto fragiliza o princípio da educação como bem público e direito universal.

Além disso, a criação de mecanismos de fiscalização, avaliação, certificação,

acompanhamento pedagógico, psicológico e social de milhares de crianças em ambientes privados

demandaria estrutura estatal complexa, custosa e de difícil execução, desviando esforços de políticas educacionais urgentes e universais.

A escola não é apenas lugar de transmissão de conteúdos. É espaço de convivência

com a diferença, construção de vínculos, aprendizagem democrática, proteção social,

identificação de violações de direitos, garantia de alimentação escolar, acesso à cultura, ao esporte, à ciência, à tecnologia e ao trabalho pedagógico profissional. 

Para muitas crianças e adolescentes, a escola é o principal espaço de visibilidade pública, proteção contra violências, negligências, exploração, trabalho infantil, abusos e violações que podem

permanecer invisíveis no ambiente doméstico. 

Reduzir a educação escolar a provas periódicas ou cumprimento de conteúdos curriculares significa desconhecer a complexidade pedagógica, social, ética e democrática da instituição escolar.

O FNE também alerta para os impactos da educação domiciliar sobre a educação inclusiva. 

A inclusão não se realiza no isolamento, mas na convivência com a diversidade

humana. A escola inclusiva é conquista histórica da sociedade brasileira e da luta das pessoas com deficiência, de suas famílias, dos profissionais da educação e dos movimentos sociais.

A retirada de estudantes do espaço escolar compromete o direito à convivência, ao atendimento educacional especializado, à interação entre pares, à participação comunitária e ao reconhecimento da diferença como princípio educativo.

A regulamentação da educação domiciliar também se insere em uma disputa mais ampla sobre o sentido da educação. Ao deslocar a formação escolar para o âmbito privado, enfraquece-se a dimensão republicana da escola e sua função de formar sujeitos capazes de viver em sociedade, dialogar com o contraditório, reconhecer direitos, respeitar diferenças e participar da vida pública. 

A democracia exige espaços comuns. A escola é um desses espaços essenciais.

Nesse sentido, o FNE reafirma que não se trata de negar a participação das famílias na educação dos filhos. Ao contrário, a participação familiar deve ser fortalecida por meio da gestão democrática, dos conselhos escolares, das associações, dos fóruns, das conferências de educação, do acompanhamento da vida escolar, do diálogo permanente com professores e equipes pedagógicas e da corresponsabilidade com o projeto educativo.

Família e escola não são instituições concorrentes; são dimensões complementares da formação humana. A substituição da escola pelo domicílio rompe essa complementaridade e fragiliza o pacto constitucional em torno do direito à educação.

Assim, o Fórum Nacional de Educação manifesta-se:

* pela rejeição de proposições legislativas que autorizem ou regulamentem a educação domiciliar como substitutiva da educação escolar obrigatória;

* pela rejeição de iniciativas que descriminalizem, anistiem ou naturalizem a ausência de matrícula escolar de crianças e adolescentes em idade obrigatória;

* pela defesa da Constituição Federal, da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, do Estatuto da Criança e do Adolescente e dos marcos nacionais e internacionais de proteção integral;

* pela centralidade da escola como instituição pública, social, democrática, inclusiva e indispensável ao desenvolvimento pleno da pessoa, ao exercício da cidadania e à qualificação para o trabalho;

* pela ampliação do financiamento público da educação, com prioridade para a implementação do Plano Nacional de Educação, do Sistema Nacional de Educação, do Custo Aluno-Qualidade, da valorização dos profissionais da educação e das políticas de permanência, inclusão e recomposição das aprendizagens;

* pelo fortalecimento da busca ativa escolar, do combate à evasão, do enfrentamento ao abandono, da proteção contra violências e da articulação intersetorial entre educação, assistência social, saúde, direitos humanos, conselhos tutelares e sistema de garantia de direitos;

* pela valorização da participação das famílias na vida escolar, sem que isso implique substituição da escola ou privatização do direito à educação.

O FNE conclama o Congresso Nacional, os sistemas de ensino, os conselhos e fóruns de educação, as entidades educacionais e a sociedade brasileira a rejeitarem a regulamentação da educação domiciliar e a concentrarem esforços naquilo que efetivamente interessa ao país: assegurar escola de qualidade social para todas as crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos; garantir condições dignas de ensino e aprendizagem; enfrentar desigualdades históricas; proteger infâncias e adolescências; e fortalecer a educação como direito humano, bem público e fundamento da democracia.

Educação se faz com família, escola, Estado e sociedade. Não se faz pela retirada de crianças e adolescentes do espaço público comum, mas pelo compromisso coletivo de transformar a escola em lugar cada vez mais justo, inclusivo, democrático, acolhedor e socialmente referenciado.

Fórum Nacional de Educação — FNE

Brasília, 15/06/2026. 


terça-feira, 9 de junho de 2026




 

Autora: Maria Inez Rodrigues Pereira 


Eu guardei uma foto sua,

Aquela em que a gente se olha

E que você me enxergou nua.

Ela está sem filtro... eu sou tua,

Completamente tua.

E eu te vejo como num espelho... desnudo,

Inteiro, entregue... sem orgulho.

​Eu guardei uma foto sua

Para lembrar do nosso amor,

Para lembrar do quanto eu fui tua,

Do quanto me entreguei sem pudor.

E, sem querer nada em troca,

Eu te entreguei o meu amor.

​Eu guardei uma foto sua

Para não esquecer o seu olhar.

Guardei para me sentir segura

De que, mesmo congelado no tempo,

Seus olhos me dizem em cada momento

Que sempre, sempre, sempre vai me amar.

sábado, 23 de maio de 2026




 SOBRE POLÍTICA

AUTOR: Maria Inez Rodrigues Pereira


Desde que Lula venceu as eleições, a política brasileira ganhou um novo nível de discussão. O lamaçal de bobagens e a polarização tomaram conta dos debates no cenário político em geral. É assustador o volume de fake news que somos obrigados a ver ou ler nas redes sociais, muitas vezes sem que tenhamos real interesse. É uma enxurrada de mentiras.


A chamada elite brasileira não aceita, de forma alguma, a ascensão de Lula ao poder. Por ser um homem simples, vindo da camada mais pobre da população, isso se torna uma afronta para muitos. Ele não tem um PhD, não frequentou uma universidade de renome, mas ainda assim chegou à presidência da República — e isso incomoda bastante essa gente.


Digo isso porque, ultimamente, os escândalos envolvendo a família Bolsonaro não têm sido suficientes para abrir os olhos dos 43% ou mais de eleitores que votaram nela. Quanto mais escândalos surgem, mais há quem se recuse a enxergar.


Tenho a sensação de que as próximas eleições, que já se aproximam, trarão momentos de muita dificuldade. Para nós, eleitores, será um dos períodos mais difíceis de atravessar. Ainda assim, é fundamental fazer uma análise crítica e inteligente sobre os projetos de governo de cada candidato.


Pessoalmente, apoio aquele que apresenta propostas que beneficiem a população de forma geral, priorizando programas de sustentabilidade, melhoria de renda, educação, saúde e segurança.


E quando políticos chegam com um programa que mais parece um rolo compressor sobre a população mais vulnerável, é preciso se preocupar muito com os resultados desse tipo de governo.


Ao ver um pré-candidato envolvido até o pescoço em fraudes, escândalos, rachadinhas, denúncias, negociações suspeitas e corrupção, é necessário analisar seu caráter, sua índole e quem realmente é essa pessoa que deseja governar.


 



JOANA

Autor: Zeni Pereira



O dia começou chuvoso naquela manhã de quarta-feira de outono. Joana, uma menina apaixonada pela vida, de olhos castanhos e de olhar vívido, espiava pela janela as gotas de chuva caírem do céu como singelas possibilidades de vida. Então, para quê reclamar por não poder sair de casa naquele momento? As flores de seu quintal, com certeza, estavam felizes por receber em suas folhas as gotas de chuva. Estariam desabrochando para a vida.

Os olhos brilhavam ao imaginar o colorido que elas iriam produzir por conta da diversidade de plantas em seu jardim, seria magistral. Era assim que Joana se sentia. Desabrochando para a vida. Uma menina cheia de sonhos, com fulgor intenso e excitada com as descobertas que seu destino poderia lhe proporcionar.

Continuou olhando a chuva lá fora.  Se surpreendeu pensando na sua melhor amiga e no sentimento que preenchia o seu coração toda vez que a via. Era um misto de alegria e dor. Não conseguia explicar, era confuso. Mas, tudo nela a encantava. O olhar, o sorriso, a expressão de seu rosto, sua pele...sentia um desejo intenso por ela. Quisera poder tocá-la naquele momento e dizer o quanto a amava. Então, lembrou do poema que havia escrito na noite anterior.

Não fique aí parada, vá e fale.

Fale do amor, fale da vida.

Não fique tão só.

Há quem te ame,

Há quem te espera, não sei onde,

Mas te espera.

Em um canto de rua, talvez numa praça.

Quem sabe no coração, ou ainda na saudade,

Ou na pequena ilusão de um dia te conhecer.

Não fique tão só... ela te ama.

Nós nos amamos.

Ser só é tão triste!

Não fique tão só.

 

Fechou os olhos e uma lágrima escorreu...tinha certeza de que jamais conseguiria contar que a amava.

 

 

 

 

 

 




quarta-feira, 20 de maio de 2026

 





NÃO CONSIGO DIZER ADEUS


                        Autor: Maria Inez R. Pereira


                        Me perdi em você, 

                        Eu te amo para sempre, não sei dizer adeus.

                        Estás em minha mente,

                        Estás nos sonhos meus.

                        Mas, vai ficar tudo bem

                        Mesmo que eu não consiga dizer adeus.


                        Talvez eu seja uma tola

                        Por querer te ter para sempre em meu coração.

                        Eu te amo e recomeçar não será fácil.

                        Me perdi em você, vivo com a solidão.

                        Porque eu não consigo dizer adeus.

                        

                        Para me encontrar tenho que seguir em frente

                        Não importa onde eu esteja,

                        Não importa o lugar,

                        Você sempre estará comigo.

                        Eu sempre vou te amar.

                        Mesmo que eu tenha que dizer adeus.


Publicado no livro Viva Poesia 2025 - V. 2 - Lura Editorial, São Paulo, 2025


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